Hoje nada mais tenho a acrescentar ao fantástico discurso do Paulo Morais sobre a corrupção em Portugal.
Vejam neste link:
http://www.tvi24.iol.pt/programa/4407/49
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Despesas do Estado
É muito comum ouvirmos na televisão e nos jornais que se devia cortar na despesa pública. Mas depois nunca se chega a enumerar concretamente as áreas em que se pode aplicar.
Olhando para o orçamento de estado de 2012, percebe-se, em linhas gerais, onde é que o dinheiro está a ser gasto (página 78). Concluo algumas coisas disto:
Olhando para o orçamento de estado de 2012, percebe-se, em linhas gerais, onde é que o dinheiro está a ser gasto (página 78). Concluo algumas coisas disto:
- Gasta-se demasiado dinheiro com a Assembleia da República (83,5 milhões euros), mesmo não sabendo ao certo o que aqui está englobado.
- Paga-se uma estupidez de juros e dívida pública (8 mil milhões de euros). Para terem uma noção de grandeza, o não pagamento desta despesa significava passarmos de um défice orçamental para um superavit.
- Gastam-se 429 milhões de euros na Defesa Nacional. Não estamos em condições financeiras nem militares de travar uma guerra, por que raio se gasta tanto em inutilidades? E ainda para mais porque o Ser Humano é o animal mais selvagem deste planeta e a qualquer momento desata a matar milhões de pessoas porque sim.
- Gastam-se 7,5 mil milhões de euros em saúde. Esta é provavelmente das áreas onde mais desperdício há e por isso vale a pena apontar algumas falhas:
- Até há pouco tempo os hospitais negociavam cada um por si o preço dos medicamentos com os fornecedores. Ninguém conseguiu pensar que se negociassem para um conjunto vasto de hospitais o preço diminuiria significativamente.
- Há médicos pagos a preço de ouro que não cumprem integralmente o seu horário e ainda aproveitam para ir fazer umas horas para uma empresa privada.
- Não há praticamente controlo da medicação gasta nos hospitais. Vai-se dando aos doentes, vai-se deitando fora porque passou de validade, alguns funcionários levam medicamentos para casa e por aí fora...
- Anda-se a cortar na Educação, quando é esta que nos pode safar como país a longo prazo.
- Gastaram-se mais de 40 milhões de euros no Censos 2011. Não há maneiras menos custosas de obter esta informação?
- Na página 122 está um gráfico com o dinheiro que se prevê gastar em parcerias público-privadas: em média pagar-se-á um subsídio de natal de toda a função pública aos privados por ano até 2040.
Há muito por onde cortar, mas ninguém quer tocar em interesses instalados. Ainda hoje ouvi na rádio uma excelente observação:
- quer-se cortar nas parcerias público-privadas, os privados queixam-se e o Governo não corta
- quer-se diminuir os privilégios dos médicos, a Ordem reclama e o Governo tem de ceder
- quer-se aumentar o número de alunos por turma em 4 ou 5, os sindicatos dos professores levantam cabelo e o Governo não aumenta tanto
- quer-se nivelar os salários dos gestores públicos com o do 1º ministro, mas depois dão-se excepções por razões de concorrência
Resumindo, toda a gente diz que de facto temos de fazer sacrifícios para sairmos da situação em que estamos, mas quando chega a hora de o fazer ninguém aceita. O papel do Governo é fazer o que deve fazer: distribuir proporcionalmente e sem excepção os sacrifícios por todos os 10 milhões de portugueses.
Dívida pública
A dívida é um conceito engraçado inventado por um conjunto de banqueiros e que representa o preço de um empréstimo. Não sendo economista, nem nada que se pareça, faz-me confusão como é que tudo começou. Imprimiu-se a primeira nota de 10€ e emprestou-se a troco de 11€? De onde vem o euro adicional?
Parece-me que esta dúvida básica que tenho está na origem da explicação do crescimento da dívida mundial: jamais será possível pagar toda a dívida existente, porque não há dinheiro suficiente para a pagar. Se esta frase está correcta (alguém que me contrarie por favor) então significa que andamos todos a pagar indefinidamente às entidades que iniciaram todo este processo - bancos.
Muito se fala da dívida pública portuguesa nos últimos tempos e de quem é a culpa. Pois bem, este link apresenta uma distribuição da acumulação da dívida pelo vários governos.
A dívida nunca parou de descer em altura alguma desde pelo menos 1981. Como é possível os sucessivos governos não tomarem medidas para evitar este nítido crescimento insustentável? Beneficiou-se claramente uma geração com prejuízos para as seguintes. E digo propositadamente no plural, porque estando aos níveis actuais (>100% do PIB), são precisas várias dezenas de anos para a diminuir, partindo do princípio que se faz tudo bem entretanto. Não adianta culpar apenas o Sócrates ou o Cavaco, foram todos responsáveis por aumentar a dívida, sem pensar que um dia isto rebentaria.
Estima-se que, dividindo a dívida pública por cada um dos seus habitantes, cada português terá de pagar cerca de 19 mil euros. Estamos completamente enterrados até ao pescoço.
Por esse mundo fora contam-se variadíssimos casos de dívidas públicas insustentáveis. Basta observar o infográfico que o The Economist disponibiliza:
http://www.economist.com/content/global_debt_clock
Até quando vão os países suportar uma dívida insustentável? A solução tem sempre passado por imprimir moeda nova para pagar dívidas antigas, mas eventualmente isto trará ainda mais problemas. Estes pagamentos que toda a gente está obrigada a fazer, acabam por resultar numa transferência brutal e cada vez maior dos pobres para os ricos. Chegará o dia (talvez dos meus bisnetos ou nem isso) em que o mundo inteiro terá de declarar um default, cortar a dívida de uma vez por todas e arranjar um novo sistema monetário.
Parece-me que esta dúvida básica que tenho está na origem da explicação do crescimento da dívida mundial: jamais será possível pagar toda a dívida existente, porque não há dinheiro suficiente para a pagar. Se esta frase está correcta (alguém que me contrarie por favor) então significa que andamos todos a pagar indefinidamente às entidades que iniciaram todo este processo - bancos.
Muito se fala da dívida pública portuguesa nos últimos tempos e de quem é a culpa. Pois bem, este link apresenta uma distribuição da acumulação da dívida pelo vários governos.
A dívida nunca parou de descer em altura alguma desde pelo menos 1981. Como é possível os sucessivos governos não tomarem medidas para evitar este nítido crescimento insustentável? Beneficiou-se claramente uma geração com prejuízos para as seguintes. E digo propositadamente no plural, porque estando aos níveis actuais (>100% do PIB), são precisas várias dezenas de anos para a diminuir, partindo do princípio que se faz tudo bem entretanto. Não adianta culpar apenas o Sócrates ou o Cavaco, foram todos responsáveis por aumentar a dívida, sem pensar que um dia isto rebentaria.
Estima-se que, dividindo a dívida pública por cada um dos seus habitantes, cada português terá de pagar cerca de 19 mil euros. Estamos completamente enterrados até ao pescoço.
Por esse mundo fora contam-se variadíssimos casos de dívidas públicas insustentáveis. Basta observar o infográfico que o The Economist disponibiliza:
http://www.economist.com/content/global_debt_clock
Até quando vão os países suportar uma dívida insustentável? A solução tem sempre passado por imprimir moeda nova para pagar dívidas antigas, mas eventualmente isto trará ainda mais problemas. Estes pagamentos que toda a gente está obrigada a fazer, acabam por resultar numa transferência brutal e cada vez maior dos pobres para os ricos. Chegará o dia (talvez dos meus bisnetos ou nem isso) em que o mundo inteiro terá de declarar um default, cortar a dívida de uma vez por todas e arranjar um novo sistema monetário.
sábado, 15 de setembro de 2012
Os portugueses são doidos?
No expresso vem uma sondagem realizada após o anúncio das medidas de austeridade, para verificar quem ganharia as eleições ao dia de hoje.
Qual não é o meu espanto quando vi que o PSD ainda tem 33% dos votos... Como é possível haver 33% dos eleitores que ainda votam nestes montes de esterco? Bem sei que há boys, tachos e tudo mais que devem votar em quem lhes dá a mama, mas serão assim tantos?
Uma infeliz não-surpresa foi a ultrapassagem por parte do PS. Andamos constantemente a alternar entre partidos e portanto tudo se mantém na mesma. Ao PS basta esperar que o PSD faça merda enquanto é governo e vice-versa. Também não acho que os restantes partidos sejam uma alternativa viável, por isso acho que a nossa democracia está podre por natureza.
Já que tenho este blog onde posso despejar ideias, por mais estúpidas que sejam, cá vai um conjunto de regras para um sistema político mais saudável:
Qual não é o meu espanto quando vi que o PSD ainda tem 33% dos votos... Como é possível haver 33% dos eleitores que ainda votam nestes montes de esterco? Bem sei que há boys, tachos e tudo mais que devem votar em quem lhes dá a mama, mas serão assim tantos?
Uma infeliz não-surpresa foi a ultrapassagem por parte do PS. Andamos constantemente a alternar entre partidos e portanto tudo se mantém na mesma. Ao PS basta esperar que o PSD faça merda enquanto é governo e vice-versa. Também não acho que os restantes partidos sejam uma alternativa viável, por isso acho que a nossa democracia está podre por natureza.
Já que tenho este blog onde posso despejar ideias, por mais estúpidas que sejam, cá vai um conjunto de regras para um sistema político mais saudável:
- Todos os partidos apresentam propostas concretas para cada um dos 4 anos de governação.
- As pessoas votam exclusivamente nas propostas.
- O(s) partido(s) que subscrever(em) as propostas mais votadas governam.
- Em cada ano, o povo tem direito a cobrar as promessas eleitorais, sob pena de saírem imediatamente do poder.
- Definir-se-ia uma percentagem mínima de cumprimentos das propostas, já que a governação nem sempre é uma ciência exacta.
- Se quiserem tomar medidas que requerem mais do que um ano é simples: cumpram as promessas dos primeiros anos e chegarão ao final do mandato.
"Que se lixe a troika"
Está a decorrer durante o dia de hoje e um pouco por todo o país a manifestação contra as medidas de austeridade. Sou muito mais a favor deste tipo de manifestações do que as greves gerais convocadas pelas centrais sindicais. Estas últimas prejudicam directamente a economia e dão força apenas a sectores protegidos pelos sindicados, como por exemplo os transportes públicos. Já a manifestação de hoje foi convocada por um conjunto de cidadãos sem qualquer filiação em partidos ou sindicatos e decorre a um sábado, onde não há tanto impacto sobre a já frágil economia.
Uma coisa boa que se vê nestas manifestações é a criatividade dos cartazes que as pessoas seguram. Como para já não há taxas sobre cartazes nem multas para os mais agressivos, podemos ver pérolas como esta:
"Se quisesse trabalhar para chulos tinha ido para p***"
Outra imagem que me costuma vir à cabeça quando ocorrem manifestações é esta e dá que pensar:
Se há diferença para as manifestações anteriores (Geração à Rasca e afins) é que abrange sectores da sociedade que nunca tinham vindo para a rua anteriormente. Dos pobres à classe média-alta, dos trabalhadores aos empresários, dos de esquerda aos de direita, toda a gente está insatisfeita e por isso sai à rua.
Conhecendo o governo como conheço, com certeza que irá dar os parabéns às pessoas por exercerem o seu direito de cidadania, mas de seguida volta para o seu estado habitual:
Aproveitem bem enquanto são governo e podem contratar seguranças com o dinheiro do estado, porque depois irão gastar uma fortuna com eles ou terão de emigrar como o outro. Espero que em 2015 os portugueses vos digam o que acharam da vossa governação.
Uma coisa boa que se vê nestas manifestações é a criatividade dos cartazes que as pessoas seguram. Como para já não há taxas sobre cartazes nem multas para os mais agressivos, podemos ver pérolas como esta:
"Se quisesse trabalhar para chulos tinha ido para p***"
Outra imagem que me costuma vir à cabeça quando ocorrem manifestações é esta e dá que pensar:
Se há diferença para as manifestações anteriores (Geração à Rasca e afins) é que abrange sectores da sociedade que nunca tinham vindo para a rua anteriormente. Dos pobres à classe média-alta, dos trabalhadores aos empresários, dos de esquerda aos de direita, toda a gente está insatisfeita e por isso sai à rua.
Conhecendo o governo como conheço, com certeza que irá dar os parabéns às pessoas por exercerem o seu direito de cidadania, mas de seguida volta para o seu estado habitual:
Aproveitem bem enquanto são governo e podem contratar seguranças com o dinheiro do estado, porque depois irão gastar uma fortuna com eles ou terão de emigrar como o outro. Espero que em 2015 os portugueses vos digam o que acharam da vossa governação.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Consenso político e social
Estes muitos tubarões da troika que gostam muito de falar no bom aluno que é Portugal, onde há um consenso político e social e onde se aceitam as medidas de austeridade com muita alegria. É com muito gosto que vou ver o discurso destas bestas a mudar nos próximos tempos. Se o que for apresentado no Orçamento 2013 for aquilo que foi anunciado pelo Pedro (desde a intervenção do facebook que o trato assim) e por Vítor Gaspar, então todos os consensos irão cair imediatamente.
O ainda actual líder da UGT já manifestou a intenção de continuar a dialogar, apenas para fazer valer aquilo que tinha negociado no início do ano. À boa maneira do governo português, só cumpriram tudo o que era de mau do acordo e "esqueceram-se" das medidas positivas para o mercado laboral. Caso isto não ande para a frente, estou seriamente a contar com uma ruptura da UGT.
Por sua vez, o PS já está a preparar o seu distanciamento do governo. É uma jogada típica de todos os partidos da oposição, mas que desta vez até faz algum sentido. Tudo o que seja troca de galhardetes e politiques metem-me nojo e muito provavelmente à maioria da sociedade.
Não há pachorra para mais políticos da treta... importemos alguns da Suécia ou Dinamarca por favor!
O ainda actual líder da UGT já manifestou a intenção de continuar a dialogar, apenas para fazer valer aquilo que tinha negociado no início do ano. À boa maneira do governo português, só cumpriram tudo o que era de mau do acordo e "esqueceram-se" das medidas positivas para o mercado laboral. Caso isto não ande para a frente, estou seriamente a contar com uma ruptura da UGT.
Por sua vez, o PS já está a preparar o seu distanciamento do governo. É uma jogada típica de todos os partidos da oposição, mas que desta vez até faz algum sentido. Tudo o que seja troca de galhardetes e politiques metem-me nojo e muito provavelmente à maioria da sociedade.
Não há pachorra para mais políticos da treta... importemos alguns da Suécia ou Dinamarca por favor!
Jornalista 15 - 0 Vítor Gaspar
Não parece mas ontem passaram dois jogos na televisão: Portugal-Azerbeijão e o José Gomes Ferreira-Vítor Gaspar. Tenho acompanhado o trabalho deste jornalista já há algum tempo e é um alto crítico das políticas seguidas em Portugal, sejam elas do PSD, PS ou CDS.
Pois bem, ontem o segundo jogo teve o resultado final de 15-0 para o jornalista (o de Portugal foi mais modesto: 3-0), entalando o ministro das finanças inúmeras vezes. Claro que um ministro com alguma experiência nunca fica sem resposta no sentido literal, mas que teve de desviar várias vezes o assunto, lá isso teve. Vejam o vídeo abaixo:
É de facto muito interessante analisar algumas das medidas anunciadas por Vítor Gaspar, como por exemplo a taxação de imóveis acima de 1 milhão de euros. Quantas pessoas em Portugal é que têm imóveis deste nível? Algumas centenas? Lembro-me de grandes empresários, jogadores de futebol e outros cujo rendimento não é propriamente transparente.
Aposto que quando estavam a discutir estas medidas entre eles, alguém se virou para o grupo e perguntou: "Qual é o vosso imóvel mais caro?" e alguém respondeu: "Epá, tenho um que vale 990 mil euros". E assim terá sido...
Pois bem, ontem o segundo jogo teve o resultado final de 15-0 para o jornalista (o de Portugal foi mais modesto: 3-0), entalando o ministro das finanças inúmeras vezes. Claro que um ministro com alguma experiência nunca fica sem resposta no sentido literal, mas que teve de desviar várias vezes o assunto, lá isso teve. Vejam o vídeo abaixo:
É de facto muito interessante analisar algumas das medidas anunciadas por Vítor Gaspar, como por exemplo a taxação de imóveis acima de 1 milhão de euros. Quantas pessoas em Portugal é que têm imóveis deste nível? Algumas centenas? Lembro-me de grandes empresários, jogadores de futebol e outros cujo rendimento não é propriamente transparente.
Aposto que quando estavam a discutir estas medidas entre eles, alguém se virou para o grupo e perguntou: "Qual é o vosso imóvel mais caro?" e alguém respondeu: "Epá, tenho um que vale 990 mil euros". E assim terá sido...
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