Na reunião do ECOFIN da sexta-feira passada decidiu-se resgatar financeiramente o Chipre. O problema é o habitual: a banca endividou-se muito, blá blá blá, é preciso salvar a banca se não morremos todos, blá blá blá, o contribuinte é que vai pagar tudo.
Nada de novo no mundo em que vivemos. O mais grave é que desta vez, além da subida de impostos e corte de despesas, a UE concordou com uma medida muito perigosa:
- Aplicar uma taxa de 6,75% sobre todos os depósitos até 100 mil euros.
- Aplicar uma taxa de 9,9% sobre todos os depósitos acima de 100 mil euros.
Isto abre um precedente gigantesco na segurança e na propriedade privada dos depositantes europeus. Por decreto europeu é agora possível tirarem-me uma percentagem da minha riqueza, porque a banca se enterrou. Dizem eles que vão dar em troca acções dos respectivos bancos, como se isso compensasse a gravidade da operação.
Trata-se de expropriação de dinheiro dos depositantes, que presumo que apenas aconteça em regimes "democráticos" como o da Coreia do Norte. Se Portugal se continuar a enterrar como tem feito tão bem nos últimos anos corremos o risco de nos virem sacar dinheiro às nossas contas, sem sequer nos perguntarem.
domingo, 17 de março de 2013
sábado, 16 de março de 2013
Gaspar, Gaspar
Bravo, Gaspar! Mais uma vez falhaste todos os números possíveis e imagináveis. Aposto que nem sequer consegues prever o que vais comer ao jantar logo à noite. Vejam o quadro abaixo que mostra a discrepância de números em apenas 6 meses.
Como é possível estes fantoches dizerem que estamos no bom caminho? Ainda bem que a matemática é uma ciência exacta e se fazem estatísticas oficiais, caso contrário achava que estávamos muito bem na vida. Acho um insulto esta gente tentar convencer o povo que 2+2 não é igual a 4, mas enfim: políticos...
Como é possível estes fantoches dizerem que estamos no bom caminho? Ainda bem que a matemática é uma ciência exacta e se fazem estatísticas oficiais, caso contrário achava que estávamos muito bem na vida. Acho um insulto esta gente tentar convencer o povo que 2+2 não é igual a 4, mas enfim: políticos...
quarta-feira, 13 de março de 2013
Cuidado com a China
Hoje em dia é quase senso comum que a abertura do comércio mundial à China é uma das principais causas da desgraça do mundo ocidental. Aliás, quanto mais leio sobre o assunto começo a achar que a crise actual é devida em 50% à Europa e 50% a nós próprios.
A nossa "solidária" Europa resolveu abrir o seu mercado às importações chinesas em troca de exportações. Tudo muito bem, não fosse o facto de nem todas as economias estarem a produzir aquilo que a China precisava. É o caso de Portugal. Não só não conseguimos exportar para lá, como também começámos a ter que competir com as importações de lá, como é o caso dos têxteis e do calçado.
Quem ficou a ganhar com isto? As economias que produziam material que a China não tinha: maquinaria pesada, equipamento para transportes, etc. Quem são estes países? Vejam o gráfico que correlaciona o endividamento externo com a semelhança da estrutura produtiva:
Ou seja: quem está mal hoje é que tem uma estrutura produtiva que compete directamente com a China. Mais uma vez, os países europeus ditos "solidários" fizeram acordos comerciais que apenas os beneficiaram em detrimento dos restantes. Bela Europa esta que temos!
A China obviamente lucrou imenso com isto porque pôde despachar triliões de dólares em produtos pelo mundo todo. Como o gráfico abaixo de excedentes mostra (fonte), está numa posição muito privilegiada no mundo. Não tarda a ser a maior economia do mundo e não é bom ter uma ditadura comunista a mandar palpites sobre a economia mundial.
A nossa "solidária" Europa resolveu abrir o seu mercado às importações chinesas em troca de exportações. Tudo muito bem, não fosse o facto de nem todas as economias estarem a produzir aquilo que a China precisava. É o caso de Portugal. Não só não conseguimos exportar para lá, como também começámos a ter que competir com as importações de lá, como é o caso dos têxteis e do calçado.
Quem ficou a ganhar com isto? As economias que produziam material que a China não tinha: maquinaria pesada, equipamento para transportes, etc. Quem são estes países? Vejam o gráfico que correlaciona o endividamento externo com a semelhança da estrutura produtiva:
Ou seja: quem está mal hoje é que tem uma estrutura produtiva que compete directamente com a China. Mais uma vez, os países europeus ditos "solidários" fizeram acordos comerciais que apenas os beneficiaram em detrimento dos restantes. Bela Europa esta que temos!
A China obviamente lucrou imenso com isto porque pôde despachar triliões de dólares em produtos pelo mundo todo. Como o gráfico abaixo de excedentes mostra (fonte), está numa posição muito privilegiada no mundo. Não tarda a ser a maior economia do mundo e não é bom ter uma ditadura comunista a mandar palpites sobre a economia mundial.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Leitura recomendada
O autor Edward Hugh fez um belo e ao mesmo tempo devastador artigo sobre Portugal, onde escreve sobre a demografia, economia e desemprego.
http://fistfulofeuros.net/afoe/the-great-portuguese-hollowing-out/
Os números que ele expõe impedem qualquer um de vislumbrar um futuro risonho para o nosso país. Se é sensível não leia este artigo :)
http://fistfulofeuros.net/afoe/the-great-portuguese-hollowing-out/
Os números que ele expõe impedem qualquer um de vislumbrar um futuro risonho para o nosso país. Se é sensível não leia este artigo :)
quinta-feira, 7 de março de 2013
Portugal respira de alívio
É assim que o Governo anuncia a alteração que a Standard & Poors fez esta semana, ao colocar Portugal em perspectiva estável. Somos lixo na mesma, mas mal cheiroso.
Para Passos Coelho valeu a pena extorquir milhares de milhões de euros aos portugueses, para agora receber este biscoito. Bravo, Coelho! Eu próprio estou extasiado com tamanho feito. Se eu pudesse oferecer mais uns milhares de euros ao Estado só para poder ver a perspectiva positiva é que era!
Um primeiro-ministro que continua a dizer que estamos no bom caminho e que baixar o salário mínimo faria aumentar o emprego só merece que o tratem por besta. Não admira que ele e os seus amigos sejam vaiados na rua. Só estamos a tratar estas bestas da mesma maneira que elas nos estão a tratar a nós.
Sabendo nós que este Governo vai, infelizmente, terminar o seu mandato só podemos esperar pelo aparecimento de extremistas nas próximas eleições. Na Grécia e na Itália aconteceu isso, mas os responsáveis europeus, do alto do seu pedestal, não conseguem perceber porquê.
Eu diria que neste momento qualquer analfabeto em Portugal teria imensos votos se se distanciasse pura e simplesmente dos partidos políticos. Aliás, é uma das coisas que mais me irrita na nossa "democracia". Nunca ninguém consegue fazer nada por iniciativa própria sem estar ou ter estado num partido. Temos pessoas com visões fantásticas sobre como o País devia funcionar, mas nunca há espaço para elas se juntarem e candidatarem ao Governo.
Já todos vimos o que é que os políticos conseguem fazer: NADA! Estou disposto a votar num conjunto de pessoas com ideias sensatas, não demagógicas e que afirmem o seguinte na primeira linha do seu programa eleitoral:
"Não pertencemos a qualquer partido político e como tal demitir-nos-emos caso não consigamos implementar pelo menos 70% das medidas aqui anunciadas"
Só esta frase ganharia o meu voto.
Para Passos Coelho valeu a pena extorquir milhares de milhões de euros aos portugueses, para agora receber este biscoito. Bravo, Coelho! Eu próprio estou extasiado com tamanho feito. Se eu pudesse oferecer mais uns milhares de euros ao Estado só para poder ver a perspectiva positiva é que era!
Um primeiro-ministro que continua a dizer que estamos no bom caminho e que baixar o salário mínimo faria aumentar o emprego só merece que o tratem por besta. Não admira que ele e os seus amigos sejam vaiados na rua. Só estamos a tratar estas bestas da mesma maneira que elas nos estão a tratar a nós.
Sabendo nós que este Governo vai, infelizmente, terminar o seu mandato só podemos esperar pelo aparecimento de extremistas nas próximas eleições. Na Grécia e na Itália aconteceu isso, mas os responsáveis europeus, do alto do seu pedestal, não conseguem perceber porquê.
Eu diria que neste momento qualquer analfabeto em Portugal teria imensos votos se se distanciasse pura e simplesmente dos partidos políticos. Aliás, é uma das coisas que mais me irrita na nossa "democracia". Nunca ninguém consegue fazer nada por iniciativa própria sem estar ou ter estado num partido. Temos pessoas com visões fantásticas sobre como o País devia funcionar, mas nunca há espaço para elas se juntarem e candidatarem ao Governo.
Já todos vimos o que é que os políticos conseguem fazer: NADA! Estou disposto a votar num conjunto de pessoas com ideias sensatas, não demagógicas e que afirmem o seguinte na primeira linha do seu programa eleitoral:
"Não pertencemos a qualquer partido político e como tal demitir-nos-emos caso não consigamos implementar pelo menos 70% das medidas aqui anunciadas"
Só esta frase ganharia o meu voto.
terça-feira, 5 de março de 2013
Electricidade mais barata?
A DECO lançou recentemente uma campanha para fazer baixar o preço da electricidade das famílias portuguesas. A ideia é negociar o preço da electricidade colectivamente, fazendo leilões com os vários fornecedores em Portugal. Este movimento foi inspirado no que aconteceu noutros países onde o mercado de electricidade também foi liberalizado.
Supostamente, negociando 300 mil contractos em vez de apenas um, dá uma certa vantagem para os consumidores (coisa rara hoje em dia). No entanto, conhecendo a veia monopolista das empresas de energia que actuam em Portugal, falta perceber qual é o "mas...". É que mesmo que tenham combinado entre si o preço a apresentar no leilão, correm o risco de perder milhares de clientes de um dia para o outro. Estou muito curioso para ver como é que isto se vai desenrolar, mas certamente que já existem grupos de trabalho em cada uma destas empresas para perceber qual a melhor estratégia para lixar o consumidor.
De qualquer das maneiras, grande iniciativa da DECO!
www.paguemenosluz.pt
Supostamente, negociando 300 mil contractos em vez de apenas um, dá uma certa vantagem para os consumidores (coisa rara hoje em dia). No entanto, conhecendo a veia monopolista das empresas de energia que actuam em Portugal, falta perceber qual é o "mas...". É que mesmo que tenham combinado entre si o preço a apresentar no leilão, correm o risco de perder milhares de clientes de um dia para o outro. Estou muito curioso para ver como é que isto se vai desenrolar, mas certamente que já existem grupos de trabalho em cada uma destas empresas para perceber qual a melhor estratégia para lixar o consumidor.
De qualquer das maneiras, grande iniciativa da DECO!
www.paguemenosluz.pt
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Semana de trabalho de 20 horas
É um conceito interessante e que voltou ao debate público após as eleições em Itália. Um ex-comediante que ganham imensos votos aos partidos tradicionais diz-se a favor de semanas de trabalho de 20 horas.
A propósito do assunto, li um artigo que argumenta que, se todos partilharmos o nosso emprego com mais alguém fazendo diminuir o desemprego, é possível obter crescimento económico. Para mim e acredito que para a grande maioria das pessoas será muito estranho ouvir falar de tal cenário. Mas o facto é que sempre nos habituamos a trabalhar as 40 horas sem nunca questionar o porquê.
Supostamente foi durante a revolução industrial que se decidiu o tempo ideal de trabalho.
Gostaria de ver as 20 horas de trabalho semanal na prática para poder avaliar melhor se traria uma vida melhor para todos ou não. No entanto, uma coisa é certa: ou se impunha as 20 horas a todos os cidadãos do mundo ou então seria certamente um fiasco. Já é difícil competir com indianos e chineses a trabalhar 70 horas por semana, quanto mais se baixarmos as nossas 40 para metade.
A propósito do assunto, li um artigo que argumenta que, se todos partilharmos o nosso emprego com mais alguém fazendo diminuir o desemprego, é possível obter crescimento económico. Para mim e acredito que para a grande maioria das pessoas será muito estranho ouvir falar de tal cenário. Mas o facto é que sempre nos habituamos a trabalhar as 40 horas sem nunca questionar o porquê.
Supostamente foi durante a revolução industrial que se decidiu o tempo ideal de trabalho.
Gostaria de ver as 20 horas de trabalho semanal na prática para poder avaliar melhor se traria uma vida melhor para todos ou não. No entanto, uma coisa é certa: ou se impunha as 20 horas a todos os cidadãos do mundo ou então seria certamente um fiasco. Já é difícil competir com indianos e chineses a trabalhar 70 horas por semana, quanto mais se baixarmos as nossas 40 para metade.
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