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domingo, 16 de dezembro de 2012

Privatizar a educação

Vale a pena ver a reportagem feita pela TVI sobre o financiamento de colégios privados. Como é habitual as personagens são ex-políticos e a maioria não presta qualquer declaração para a entrevista. Há, no mínimo, fortes indícios de crime, mas como estamos a falar de políticos tenho a certeza que eles fizeram tudo no limite da legalidade. Já não falo em moralidade, porque essa nunca chegou a existir nos políticos portugueses.

Esta e outras reportagens não me dão confiança nenhuma para as privatizações que decorreram e que decorrem, além de que é liderado por duas pessoas com pouquíssima legitimidade: Miguel Relvas e António Borges.

Não tenho dúvidas que daqui por uns anos vamos estar a assistir a reportagens feitas sobe as empresas que estão a ser privatizadas agora. A minha descrença pela classe política é total.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Privatização da saúde - seguradoras

Preocupo-me quando começo a ouvir falar de privatizações na saúde. Muita gente não sabe que o SNS é caríssimo, em grande parte porque os serviços, medicamentos e equipamentos médicos são bastante caros. Se um doente de cancro tivesse que pagar o seu tratamento de dois anos na totalidade, provavelmente as poupanças de uma vida não seriam suficientes. A partir do momento em que há medicamentos que custam centenas de euros e exames que andam lá perto, não há uma real hipótese de as poder pagar.

Neste contexto é natural sugerirem que em vez de descontar para o Estado, que o façam para empresas seguradoras privadas. Na minha opinião há grandes diferenças entre os dois modelos:


  1. As seguradoras arriscam investir com mais facilidade o dinheiro em produtos financeiros de maior risco. Sim, porque o nosso dinheiro nunca fica guardado numa conta à ordem. Eles querem lucrar com a nossa saúde e esta é uma boa maneira de o fazer.
  2. O Estado segura efectivamente todas as pessoas. Doentes ou não-doentes, toda a gente tem acesso a cuidados médicos. Já as seguradores procedem a validações intermináveis do estado de saúde das pessoas, antes de as segurarem. E mesmo quando já o são e acontece algum problema, fazem de tudo para se esquivarem ao pagamento dos tratamentos necessários.
Recentemente testemunhei um caso em que na ficha de inscrição para uma seguradora foi escrito que a pessoa (jovem) tomava um medicamento de prevenção para a azia. Qual não é o espanto da pessoa quando, passados 4 meses, ainda está à espera de uma decisão, porque a seguradora precisa de um parecer médico. Se por tomar este medicamento corre o risco de não poder ser segurado, quanto mais se tivesse alguma doença grave. 

Para que servem as seguradoras se só aceitam pessoas saudáveis? Isto é o equivalente às seguradoras automóveis só aceitarem segurar carros cujos condutores não têm carta de condução.

Pensem nisto quando o Governo vos tiver a tentar convencer que entregar a saúde aos privados é uma grande poupança.

domingo, 2 de setembro de 2012

RTP para os amigos

Claramente, o modelo de privatização - recentemente apresentado por António Borges - da estação televisiva pública é mais uma maneira de entregar aos privados o património do país, sem beneficiar rigorosamente nada. Trata-se de fazer uma concessão a alguém, entregando o dinheiro pago pelos portugueses na factura eléctrica e esperar que esse alguém passe conteúdos do interesse nacional.

Não é de agora que sou contra a privatização de tudo o que é público. Os políticos têm o dom de encher as cabeças das pessoas com ideias que lhes dá jeito e as privatizações são uma delas. "Temos de diminuir o peso do estado na economia". Mas quem é que determina qual o peso que um estado deve ou não ter na economia? Por que raio devemos vender empresas públicas rentáveis? (sim, porque os abutres privados só aparecem para comprar empresas públicas que dêem dinheiro, que é como quem diz as empresas com um monopólio gigantesco nas suas áreas de actividade). É para diminuir o défice que tanto se fala? Não. O dinheiro das privatizações não entra para estas contas. É para diminuir a dívida pública? Parece que sim, mas estamos a falar duma dívida na ordem dos 200 mil milhões de euros. Tomando como exemplo a mais valiosa empresa privatizada neste ano teríamos de vender cerca 74 EDPs para reduzir a dívida a zero.... Ou seja, estamos a encaixar dinheiro agora mas a longo prazo ficaremos a perder imenso, o que do ponto de vista de gestão é irracional.

Voltando à RTP, é interessante analisar o histórico das suas contas. Pelo que tem aparecido nos jornais, a RTP deu prejuízo ao longo de duas décadas, estando agora num ponto de inversão. No último ano ocorreram grandes reestruturações que levaram à redução brutal da despesa, permitindo obter lucro em 2011. Estão a querer dizer-me que depois deste esforço todo para chegar a um balanço positivo se vai privatizar a RTP? E tudo porque "o povo português votou neste programa eleitoral"? Então e aqueles que votaram para não ficar sem os subsídios de férias e de natal? Só tentam cumprir as más promessas e as boas deixam-nas para a campanha eleitoral seguinte? É por estas e por outras que eu acredito que dentro de 5 ou 10 anos, apenas uma pequena minoria dos portugueses irá às urnas...

Deixo algumas sugestões para o que deveria ser um serviço público de televisão:

  • Deve apresentar apenas concursos que promovam a cultura geral.
  • Não repetir até à exaustão um tipo de programa (por exemplo os 92 programas de cantar e 123 programas de dançar)
  • No que diz respeito ao futebol, transmitir apenas os jogos da selecção. Embora goste de ver futebol de clubes, penso que não deve fazer parte do serviço público.
  • Evitar contratar apresentadores ou apresentadoras por ordenados milionários. Usar esse dinheiro para construir programas de qualidade que promovam Portugal.
  • Moderar o negativismo nas notícias: é contagiante e só serve para aumentar a revolta das pessoas.