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domingo, 30 de setembro de 2012

Sr. Borges

Mais uma vez o senhor António Borges resolveu dar um ar da sua graça e despiu a casaca por completo. Leiam este magnífico excerto:

Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas.


Neste mundo só há duas hipóteses para quem acha que todos os outros são ignorantes: um génio ou uma besta. Eu cá fico-me pela segunda.
Finalmente tivemos a prova daquilo que se andava a falar na comunicação social, que é saber quem deu esta fantástica ideia às marionetas do Governo. Nem sequer é o Vítor Gaspar que tem maior poder. São dois não-ministros deste Governo: António Borges e Braga de Macedo. São eles que defendem desde o início a recuperação do país por via da redução de salários e que andamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Tanto disseram esta frase, que conheço quem comece a achar que realmente é verdade. Quem andou a viver acima das possibilidades foi o Estado e muito graças a conselheiros desta raça.

Além de achar toda a gente ignorante, consegue ainda desafiar a língua portuguesa, senão vejam:

Não se trata de transferir rendimentos de ninguém para ninguém


Como é que não é uma transferência?
Deixo aqui a sugestão ao Sr. Borges para me "transferir" 90% do seu dinheiro para a minha conta bancária. Se para ele não é uma transferência então ficamos todos a ganhar :)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Capital ou trabalho: o que taxar?

Praticamente tudo é taxado em Portugal e parece que a tendência é para aumentar. Recentemente ouvimos a CGTP a propor uma taxa sobre o capital, o que na minha opinião, é perfeitamente justo no cenário em que nos encontramos.

CGTP propõe impostos sobre capital e novo escalão de IRC

Logo após esta sugestão vieram logo deitar abaixo o Arménio Carlos dizendo: "lá vem o comuna outra vez". Eu não sou comunista, mas desta vez a CGTP acertou em cheio na medida que deve ser tomada. De facto, é possível que algum capital saia do país por causa disso, mas como costumo dizer: é a vida. Tem acontecido exactamente a mesma coisa no mercado laboral. Enchem os rendimentos do trabalho com impostos e as pessoas emigram.

Resta então saber o que é mais importante para a nossa economia: capital ou trabalhadores. Eu cá acho que os dois são igualmente necessários, por isso acho que devem ser taxados em proporções semelhantes. Se a medida englobar apenas a compra e venda de acções, então quem ficará bem pior serão os especuladores, que suportam a sua vida através do short-selling. Ora, estes senhores já tiveram demasiada influência na crise mundial, pelo que considero ser mais do que justo.

É preciso começar a dar mais valor ao trabalho do que às engenharias financeiras. As segundas não trouxeram nada além da acentuação do fosso entre ricos e pobres.