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sábado, 6 de julho de 2013

SWAPS em detalhe

Por esta altura a maioria das pessoas já deve saber o que significam os SWAPS, mas não há uma visão detalhada sobre cada contrato. Pois houve alguém que resolveu compilar a informação que tem sido apresentada pela investigação da imprensa, nomeadamente do Expresso.

Neste documento, que é colaborativo, conseguimos perceber que empresas fizeram contratos deste tipo, quais os mais tóxicos e os mais lucrativos, quais os bancos envolvidos, quem foram as pessoas que os assinaram e a sua ligação aos partidos políticos.

Só os metros do Porto e Lisboa combinados representam cerca de 80% de todo o prejuízo com este tipo de contratos. É francamente muito e espero que existam consequências severas para os que estiveram envolvidos nisto (embora não tenha muita esperança).

domingo, 7 de abril de 2013

Semana louca de política

Esta tem sido uma das semanas mais agitadas desde que o actual governo assumiu funções. As teorias da conspiração mais excêntricas poderão atribuir tudo isto ao aparecimento de José Sócrates, mas não me parece. Vejamos o que aconteceu nos últimos dias:


Quarta-feira, 3 de Abril
O partido socialista apresenta uma moção de censura ao Governo.

Quinta-feira, 4 de Abril
Miguel Relvas apresenta a demissão.

Sexta-feira, 5 de Abril
O Tribunal Constitucional declara 4 de 9 medidas do orçamento inconstitucionais.

Sábado, 6 de Abril
O governo organiza um conselho de ministros de emergência para discutir a decisão do Tribunal. No final o primeiro ministro sai disparado para Belém, sem conhecermos a motivação.

Domingo, 7 de Abril
O primeiro ministro irá fazer uma declaração ao país às 18h30. Em Portugal, quando um primeiro ministro faz uma declaração ao país é para anunciar impostos ou uma remodelação/demissão do governo.


Veremos como esta novela continua, mas de qualquer das maneiras a dramatização feita pelo governo tem uma intenção. Está claramente a fazer do Tribunal e da Constituição o bode expiatório da ingovernabilidade, o que claramente não é verdade por 3 motivos:


  1. O Governo voltou a inscrever a mesma medida que tinha sido considerada inconstitucional no passado. Que eu saiba, a Constituição não mudou. Aliás, o conselho de ministros extraordinário já estava marcado mesmo antes do anúncio do Tribunal, porque já adivinhavam o resultado.
  2. A decisão do Tribunal baseia-se no princípio da igualdade e equidade, o que faz com que a argumentação de que a Constituição está desactualizada seja deitada por terra. Não há nenhum estado democrático no mundo que não tenha estas alíneas.
  3. O Tribunal não tem que olhar para o contexto económico do país para tomar decisões. Só tem de olhar para a constituição. Portugal está em crise desde 1143. Se fossemos a ter em conta o contexto económico basicamente passava tudo em todos os instantes.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Oh Relvas, oh Relvas, 12º ano à vista

Miguel Relvas está prestes a ser "deslicenciado". Pode orgulhar-se de ter sido um dos piores ministros de sempre e nós cá sabemos a mediocridade que temos tido nas últimas décadas. Na hora da sua despedida fez um discurso à sua imagem: elogiou-se a si próprio e a obra que deixou. Vejamos então o magnífico legado que Miguel Relvas nos deixa:

1- No negócio da TAP (que correu muito mal) ficamos a saber que Miguel Relvas tinha ligações duvidosas com os compradores, que por sua vez tinham tudo para serem aldrabões.

2- Soubemos que Pedro Passos Coelho, enquanto administrador da Tecnoforma, terá beneficiado indevidamente de dinheiro comunitário da Europa através de Miguel Relvas.

3- Alegadamente terá feito pressão sobre o jornal Público, quando questionado sobre a sua relação com as Secretas e Jorge Silva Carvalho.

4- Pertence à Maçonaria.

5- Foi passar as férias do Natal de 2012 a Copacabana com Dias Loureiro (implicado no caso BPN) e mais uns senhores, todos eles de ética muito duvidosa. Tudo isto em plena crise em Portugal.

6- Falhanço absoluto na privatização da RTP, depois de alegadamente a tentar entregar a um grupo angolano, também ele duvidoso.

7- É licenciado através de equivalências a 32 de um total de 36 cadeiras em Ciências Políticas.

...

152 - Não sabe cantar a Grândola Vila Morena e ainda goza com quem a canta.


Cada dia de Miguel Relvas é um dia em que algum escândalo acontece e por isso fico estupefacto quando o ouço dizer que "a história fará o julgamento dos resultados das minhas funções". Miguel, entre mim e ti, deixa-me dizer-te que já foste julgado há muito tempo e queremos é que desapareças da nossa frente.

Fico agora à espera da primeira notícia que nos vai informar que Miguel Relvas foi contratado para consultor de um grande grupo económico...

sábado, 16 de março de 2013

Gaspar, Gaspar

Bravo, Gaspar! Mais uma vez falhaste todos os números possíveis e imagináveis. Aposto que nem sequer consegues prever o que vais comer ao jantar logo à noite. Vejam o quadro abaixo que mostra a discrepância de números em apenas 6 meses.



Como é possível estes fantoches dizerem que estamos no bom caminho? Ainda bem que a matemática é uma ciência exacta e se fazem estatísticas oficiais, caso contrário achava que estávamos muito bem na vida. Acho um insulto esta gente tentar convencer o povo que 2+2 não é igual a 4, mas enfim: políticos...

quinta-feira, 7 de março de 2013

Portugal respira de alívio

É assim que o Governo anuncia a alteração que a Standard & Poors fez esta semana, ao colocar Portugal em perspectiva estável. Somos lixo na mesma, mas mal cheiroso.

Para Passos Coelho valeu a pena extorquir milhares de milhões de euros aos portugueses, para agora receber este biscoito. Bravo, Coelho! Eu próprio estou extasiado com tamanho feito. Se eu pudesse oferecer mais uns milhares de euros ao Estado só para poder ver a perspectiva positiva é que era!

Um primeiro-ministro que continua a dizer que estamos no bom caminho e que baixar o salário mínimo faria aumentar o emprego só merece que o tratem por besta. Não admira que ele e os seus amigos sejam vaiados na rua. Só estamos a tratar estas bestas da mesma maneira que elas nos estão a tratar a nós.

Sabendo nós que este Governo vai, infelizmente, terminar o seu mandato só podemos esperar pelo aparecimento de extremistas nas próximas eleições. Na Grécia e na Itália aconteceu isso, mas os responsáveis europeus, do alto do seu pedestal, não conseguem perceber porquê.

Eu diria que neste momento qualquer analfabeto em Portugal teria imensos votos se se distanciasse pura e simplesmente dos partidos políticos. Aliás, é uma das coisas que mais me irrita na nossa "democracia". Nunca ninguém consegue fazer nada por iniciativa própria sem estar ou ter estado num partido. Temos pessoas com visões fantásticas sobre como o País devia funcionar, mas nunca há espaço para elas se juntarem e candidatarem ao Governo.

Já todos vimos o que é que os políticos conseguem fazer: NADA! Estou disposto a votar num conjunto de pessoas com ideias sensatas, não demagógicas e que afirmem o seguinte na primeira linha do seu programa eleitoral:

"Não pertencemos a qualquer partido político e como tal demitir-nos-emos caso não consigamos implementar pelo menos 70% das medidas aqui anunciadas"

Só esta frase ganharia o meu voto.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sócrates na Indústria Farmacêutica

Não, não estou a brincar. O nosso ex-primeiro ministro é mesmo um consultor para uma multinacional Suíça - Octapharma - do mercado sul americano.


Ele nunca me enganou. Todos aqueles problemas a tirar o curso de Engenharia só podiam significar uma coisa: ele nasceu para a indústria farmacêutica!

Quais mestrados, quais doutoramentos... o que é preciso para se ter um cargo de topo numa multinacional é ir para a política. Não há nenhuma outra profissão que dê tantos connects como a política, que é no fundo a matéria-prima para qualquer multinacional assegurar a sua prosperidade.

Sócrates está, ainda assim, uns passos atrás de Relvas. Sócrates foi para a política para conseguir ser consultor de uma grande empresa, enquanto Relvas foi para a política para conseguir ser consultor de todas as multinacionais de uma vez.

O artigo acaba aqui, porque tenho de ir a umas aulas de filosofia em Paris a ver se consigo um emprego na Johnson and Johnson.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Grândola Vila Morena

Agora tornou-se moda cantar esta música como forma de protesto em relação às políticas do actual Governo. Bem sei que, em termos práticos, os efeitos são praticamente nulos, mas o gozo de ver os políticos encabelados é muito bom.

http://www.publico.pt/politica/noticia/relvas-interrompido-por-grandola-vila-morena-1584951

Por mim era fazer este tipo de manifestação de cada vez que o Relvas vai ao supermercado, médico ou mecânico. Já que ele não sai e não do Governo, ao menos faz-se a vida dele o mais infernal possível.

Note-se que o Relvas (agora resolvi tratar por tu as individualidades que considero estarem abaixo de cão) até tenta dar tanga aos manifestantes, cantando ele próprio a música. Diz também outra frase fenomenal:


Governo só vai embora em 2015 se portugueses quiserem



Mas ó Relvas, ainda tens dúvidas? Tens vivido noutra realidade.
Só lamento que tu vás conseguir chegar ao fim do mandato e que consigas organizar os teus esquemas e negociatas com calma e tranquilidade. Na Bulgária, o Governo fez um décimo da cagada que vocês estão a fazer e já se demitiram após grandes protestos da população. Aprende!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Corrupción en la política?!

Saiu uma notícia no El País que expõe uma lista de políticos espanhóis que alegadamente recebiam dinheiro de empresários, como por exemplo da construção civil. Não sei se para os espanhóis isto é novidade ou não, mas nós por cá já estamos habituados a ver estes casos a chegar e a ir embora, sem que nada aconteça.


  1. Todos os intervenientes do BPN estão perfeitamente tranquilos nas suas casas.
  2. O Relvas já fez trinta por uma linha e está de boa saúde.
  3. Relvas, Dias Loureiro e afins passam todos juntos o Natal no Copacabana Palace no Brasil.
  4. PPPs feitas à medida para os grandes grupos económicos.

Podia continuar? Poder podia, mas não era a mesma coisa. A própria França também ficou escandalizada com as notícias de que Nicolas Sarkozy, Zinedine Zidane e Michel Platini estariam envolvidos no "favorecimento" do Qatar como anfitrião do mundial de 2022.

Hoje em dia já não vê a corrupção quem não quer. Se dantes podia haver dúvidas, agora há claras certezas de que ela existe. Simplesmente não há meios judiciais para resolver o problema.

Sonho com o dia em que não teremos a classe política. Lamento que os bons também possam sofrer, mas os maus já fizeram mal demais.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

"Vivemos acima das nossas possibilidades"

Já não é a primeira vez que me ouvem a contestar esta frase, mas desta vez vou citar um artigo muito bom que tira precisamente as conclusões que eu também tiro. As conclusões abaixo são do autor, que se baseou na análise de um estudo do Banco de Portugal e do INE chamado “Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010”, publicado em Maio de 2012.


  • A maior parte das famílias portuguesas (63%) não devia nada aos bancos ou a qualquer outra instituição financeira;
  • A maior parte das dívidas das famílias dizia respeito à aquisição de habitação (24,5% das famílias portuguesas estavam a pagar empréstimos que tinham contraído para adquirir habitação principal);
  • Poucas famílias tinham outras dívidas (3,3 % tinham contraído empréstimos para adquirir outros imoveis, 13,3% tinham contraído empréstimos para outros fins e apenas 7,5% estavam a pagar empréstimos obtidos com cartão de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários);
  • Quem deve é quem tem maior rendimentoe riqueza (nos 10% das famílias com maior rendimento, 57,4% das famílias eram devedoras; no grupo das 20% com menor rendimento apenas 18,4% das famílias estavam endividadas);
  • Se continuar a ler (quadro 11 do estudo) verificará também que quem mais deve é quem mais tem (a dívida mediana da classe de rendimento mais elevada é cerca de duas vezes maior do que  a da classe de rendimento mais baixo, a dívida mediana da classe de riqueza mais elevada é quase seis vezes maior do que a da classe de rendimento mais baixo).

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sondagem

No jornal i saiu uma sondagem sobre a intenção de voto dos portugueses no dia 12 de Outubro deste ano. Começamos a verificar que o disco está perto de girar 180º para voltarmos novamente ao socialistas.



Este ténis de mesa político é triste, mas ao mesmo tempo compreendo que não haja ninguém dos outros partidos que tenha perfil para liderar Portugal. Vivemos tempos de uma absoluta mediocridade política, que tem levado a abstenções cada vez maiores. Estou curioso para ver o que vai acontecer nas próximas eleições. Estou dividido entre uma abstenção gigantesca ou uma migração para os partidos mais extremistas de esquerda.

Eu cá acho que é uma excelente oportunidade para grupos de cidadãos se juntarem e formarem partidos políticos novos. De preferência com pessoas que não venham das "jotas", nem de outros partidos existentes. Bem sei que é preciso experiência, mas os que temos tido também não se revelaram grande coisa.

Rigor orçamental

O Eurostat publicou um relatório sobre os défices efectivos do ano de 2011 nos países da União Europeia e em particular, da Zona Euro. É engraçado verificar que esta obsessão orçamental não é respeitada por quase país nenhum, incluindo a Alemanha. Eles que falam do topo de um pedestal, tiveram um défice de 0,8% em 2011. Não é muito, mas é suficiente para lhes tirar muita da moral.

Também no capítulo da dívida, os alemães estão em violação dos tratados Europeus, em que o tecto estabelecido é de 60% do PIB: registou em 2011 uma dívida de 80,5%.

Na semana que passou, o principal líder da oposição na Alemanha avançou com um número interessante (as palavras não são exactas): "Se cortássemos na Alemanha o que Portugal tem de cortar em percentagem, teríamos de explicar muito bem à população por que razão iríamos cortar cerca de 150 mil milhões do orçamento".

É este trabalho de sensibilização da opinião pública dos países do norte que é preciso fazer. Os políticos de lá, tais como os daqui, dizem o que for preciso para ganhar o voto das pessoas. Ora, por lá, têm ganho votos aqueles que dizem que o Sul se portou mal e que eles nos estão a dar dinheiro ao desbarato. Pois é precisamente graças a esta crise que a Alemanha (e outros) têm facturado imenso, senão vejamos alguns argumentos:


  • O índice bolsista DAX tem estado em valores próximos de máximos históricos.
  • As obrigações do tesouro alemãs são emitidas a juros negativos.
  • Emprestam aos países em dificuldades a 3%, 4% ou 5% e impõem medidas para que a população lhes pague de volta.

Não é com este tipo de atitude que se constrói uma Europa solidária. Já temos o castigo das medidas de austeridade, porquê pagar juros altos e ser duplamente castigado? Quando é que vamos ter um líder português que bata o pé no chão?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Especialistas em nomeações

Que a gente sabe que os políticos nomeiam os amigos e conhecidos já a gente sabe. Agora chegarem ao cúmulo que contratar assessores para o Governo como especialistas, vindos directamente da faculdade é obra... Como se isto não fosse suficiente, conseguem ainda oferecer uns míseros 3069€ em início de carreira.

Eu cá nem quero saber se eles são génios ou não, só pretendo que não lhes chamem de especialistas para lhes poderem pagar este balúrdio. Chamem-lhes directamente por "primo" ou "afilhado", que assim sabemos logo que se trata do factor C(unha). Aliás, génios serão com certeza numa área: manter relações com as pessoas certas. A maior parte vem de juventudes partidárias (surprise! :o), o que indica que desde cedo se habituaram à ideia que para se ser bem sucedido em Portugal são precisos connects. É pena que assim seja, porque se bem conheço esta gente, serão os Relvas e Coelhos do futuro.

Podem ver tudo no programa "Sexta às 9" desta semana.

Ah, neste programa também falam de uma Assembleia da República que parece que gasta 100 milhões de euros, mas que já cortou todas as mordomias e não sei quê... Só para responder ao senhor que aparece na reportagem, recomendo que leiam o este artigo com este excerto a propósito das refeições que lá se fazem:

"O Bacalhau deverá ser obrigatoriamente da espécie Cod Gadusm morhua."

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Submarinos


Cito o texto escrito no Expresso:


O contrato entre o Estado e a empresa alemã Ferrostaal sobre as contrapartidas pela venda a Portugal de dois submarinos foi ontem roubado, segundo revela hoje o "Correio da Manhã".

Os documentos foram roubados do carro quando Christoph Mollenbeck, representante da Ferrostaal, jantava com um amigo em Lisboa, perto da Cinemateca.

Segundo o mesmo diário, o Audi A6 foi "cirurgicamente assaltado" e não tinha quaisquer "sinais de arrombamento". Só quando Mollenbeck e o amigo e compatriota Kai Jusec chegaram a casa é que deram pela falta da pasta e do portátil.

Às autoridades, Christoph Mollenbeck disse que as contrapartidas foram ontem renegociadas entre a empresa e o Estado. Do carro também desapareceu o memorando de entendimento entre a Ferrostaal e o Laboratório de Tecnologias de Informação.

O caso está a ser investigado pelo DIAP de Lisboa, liderado por Maria José Morgado.


Mas que grande azar tiveram os senhores em serem roubados. Quer dizer, até tiveram sorte que eram ladrões instruídos e que preferem roubar papel em vez de um Audi A6...
Algumas perguntas que ficam no ar:

  1. O que andavam estes senhores a passear os documentos de carro?
  2. Estão a querer dizer-me que roubaram as únicas cópias do contrato?
  3. Não havia mais nada a roubar do carro, como por exemplo, sei lá, o próprio Audi A6?
Vou fazer uso do discurso do Paulo Portas que, por coincidência, é um dos principais suspeitos desta história:

Se me perguntam se houve corrupção? Claro que sim.
Se me perguntam se vai haver algum condenado? Claro que não.
Se gosto de ouvir desculpas da treta como esta? Epá, não me lixem.

domingo, 30 de setembro de 2012

Sr. Borges

Mais uma vez o senhor António Borges resolveu dar um ar da sua graça e despiu a casaca por completo. Leiam este magnífico excerto:

Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas.


Neste mundo só há duas hipóteses para quem acha que todos os outros são ignorantes: um génio ou uma besta. Eu cá fico-me pela segunda.
Finalmente tivemos a prova daquilo que se andava a falar na comunicação social, que é saber quem deu esta fantástica ideia às marionetas do Governo. Nem sequer é o Vítor Gaspar que tem maior poder. São dois não-ministros deste Governo: António Borges e Braga de Macedo. São eles que defendem desde o início a recuperação do país por via da redução de salários e que andamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Tanto disseram esta frase, que conheço quem comece a achar que realmente é verdade. Quem andou a viver acima das possibilidades foi o Estado e muito graças a conselheiros desta raça.

Além de achar toda a gente ignorante, consegue ainda desafiar a língua portuguesa, senão vejam:

Não se trata de transferir rendimentos de ninguém para ninguém


Como é que não é uma transferência?
Deixo aqui a sugestão ao Sr. Borges para me "transferir" 90% do seu dinheiro para a minha conta bancária. Se para ele não é uma transferência então ficamos todos a ganhar :)

Eis um homem!


sábado, 22 de setembro de 2012

Morte da medida da TSU

Passaram-se 15 dias desde o anúncio do aumento da contribuição para a segurança social (de 11% para 18%) e podemos dizer que ela morreu. Pelo menos nos moldes em que estava prevista originalmente.

Tenho pena que não se tenha chegado a perceber ao certo o alcance da medida, porque nunca ninguém chegou a esclarecer em que é que isto ajudava as finanças do país... Quer dizer, minto. Fomos brindados com um António Mexia a elogiar a medida e que poderia diminuir os preços da electricidade - yeah right, como se não houvesse um défice tarifário gigantesco. Na melhor das hipóteses o preço poderia ser mantido ao nível actual durante mais uns tempos.


Há quem diga que era para ajudar as grandes empresas do PSI20, outros que dizem que é só para ajudar os bancos (como é a opinião do José Gomes Ferreira), mas cá para mim o objectivo do governo sempre foi arrecadar mais dinheiro para si próprio e passo a explicar.

Os trabalhadores e consumidores em geral já não garantem a mesma receita ao estado que antigamente, seja porque os seus salários estão a diminuir ou porque estão desempregados ou porque não gastam o seu dinheiro por medo. Daí que penso que se terá virado para as empresas. Estas tentam sempre ser lucrativas e por isso têm obrigação de ser menos receosas da crise do que o cidadão comum. Na perspectiva do estado, as empresas iriam poder contratar mais (o que significa mais receita em impostos e menos despesa com o subsídio de desemprego) ou então apresentar mais lucros no final do ano (o que significa mais receita em IRC).

Se foi esta ideia do Governo então estes senhores têm de ir para a Universidade outra vez (ou, em alguns casos, pela primeira vez). Nem lhes terá passado pela cabeça que a brutal redução do poder de compra resultaria numa retracção do consumo, que poderia não ser proporcional (no pior sentido claro). Assusta-me que estas pessoas com poder de decisão ignorem completamente o peixe pequeno e se dediquem a alimentar o peixe graúdo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Corrupção

Hoje nada mais tenho a acrescentar ao fantástico discurso do Paulo Morais sobre a corrupção em Portugal.



Vejam neste link:
http://www.tvi24.iol.pt/programa/4407/49

sábado, 15 de setembro de 2012

Os portugueses são doidos?

No expresso vem uma sondagem realizada após o anúncio das medidas de austeridade, para verificar quem ganharia as eleições ao dia de hoje.


Qual não é o meu espanto quando vi que o PSD ainda tem 33% dos votos... Como é possível haver 33% dos eleitores que ainda votam nestes montes de esterco? Bem sei que há boys, tachos e tudo mais que devem votar em quem lhes dá a mama, mas serão assim tantos?

Uma infeliz não-surpresa foi a ultrapassagem por parte do PS. Andamos constantemente a alternar entre partidos e portanto tudo se mantém na mesma. Ao PS basta esperar que o PSD faça merda enquanto é governo e vice-versa. Também não acho que os restantes partidos sejam uma alternativa viável, por isso acho que a nossa democracia está podre por natureza.

Já que tenho este blog onde posso despejar ideias, por mais estúpidas que sejam, cá vai um conjunto de regras para um sistema político mais saudável:

  • Todos os partidos apresentam propostas concretas para cada um dos 4 anos de governação.
  • As pessoas votam exclusivamente nas propostas.
  • O(s) partido(s) que subscrever(em) as propostas mais votadas governam.
  • Em cada ano, o povo tem direito a cobrar as promessas eleitorais, sob pena de saírem imediatamente do poder.
  • Definir-se-ia uma percentagem mínima de cumprimentos das propostas, já que a governação nem sempre é uma ciência exacta.
  • Se quiserem tomar medidas que requerem mais do que um ano é simples: cumpram as promessas dos primeiros anos e chegarão ao final do mandato.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Consenso político e social

Estes muitos tubarões da troika que gostam muito de falar no bom aluno que é Portugal, onde há um consenso político e social e onde se aceitam as medidas de austeridade com muita alegria. É com muito gosto que vou ver o discurso destas bestas a mudar nos próximos tempos. Se o que for apresentado no Orçamento 2013 for aquilo que foi anunciado pelo Pedro (desde a intervenção do facebook que o trato assim) e por Vítor Gaspar, então todos os consensos irão cair imediatamente.

O ainda actual líder da UGT já manifestou a intenção de continuar a dialogar, apenas para fazer valer aquilo que tinha negociado no início do ano. À boa maneira do governo português, só cumpriram tudo o que era de mau do acordo e "esqueceram-se" das medidas positivas para o mercado laboral. Caso isto não ande para a frente, estou seriamente a contar com uma ruptura da UGT.

Por sua vez, o PS já está a preparar o seu distanciamento do governo. É uma jogada típica de todos os partidos da oposição, mas que desta vez até faz algum sentido. Tudo o que seja troca de galhardetes e politiques metem-me nojo e muito provavelmente à maioria da sociedade.

Não há pachorra para mais políticos da treta... importemos alguns da Suécia ou Dinamarca por favor!