O gráfico abaixo mostra onde vivem as pessoas mais ricas do mundo e devo dizer que não fiquei surpreendido com os resultados. Eram de facto as minhas primeiras apostas.
A coluna da direita é que me faz reflectir. Se há cada vez mais ricos nestes países é porque há quem esteja a perder dinheiro. Mais uma vez assiste-se à contínua transferência de riqueza para o top 1%.
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sábado, 22 de junho de 2013
Os ricos continuam ricos
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
"Vivemos acima das nossas possibilidades"
Já não é a primeira vez que me ouvem a contestar esta frase, mas desta vez vou citar um artigo muito bom que tira precisamente as conclusões que eu também tiro. As conclusões abaixo são do autor, que se baseou na análise de um estudo do Banco de Portugal e do INE chamado “Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010”, publicado em Maio de 2012.
- A maior parte das famílias portuguesas (63%) não devia nada aos bancos ou a qualquer outra instituição financeira;
- A maior parte das dívidas das famílias dizia respeito à aquisição de habitação (24,5% das famílias portuguesas estavam a pagar empréstimos que tinham contraído para adquirir habitação principal);
- Poucas famílias tinham outras dívidas (3,3 % tinham contraído empréstimos para adquirir outros imoveis, 13,3% tinham contraído empréstimos para outros fins e apenas 7,5% estavam a pagar empréstimos obtidos com cartão de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários);
- Quem deve é quem tem maior rendimentoe riqueza (nos 10% das famílias com maior rendimento, 57,4% das famílias eram devedoras; no grupo das 20% com menor rendimento apenas 18,4% das famílias estavam endividadas);
- Se continuar a ler (quadro 11 do estudo) verificará também que quem mais deve é quem mais tem (a dívida mediana da classe de rendimento mais elevada é cerca de duas vezes maior do que a da classe de rendimento mais baixo, a dívida mediana da classe de riqueza mais elevada é quase seis vezes maior do que a da classe de rendimento mais baixo).
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Dívida pública
A dívida é um conceito engraçado inventado por um conjunto de banqueiros e que representa o preço de um empréstimo. Não sendo economista, nem nada que se pareça, faz-me confusão como é que tudo começou. Imprimiu-se a primeira nota de 10€ e emprestou-se a troco de 11€? De onde vem o euro adicional?
Parece-me que esta dúvida básica que tenho está na origem da explicação do crescimento da dívida mundial: jamais será possível pagar toda a dívida existente, porque não há dinheiro suficiente para a pagar. Se esta frase está correcta (alguém que me contrarie por favor) então significa que andamos todos a pagar indefinidamente às entidades que iniciaram todo este processo - bancos.
Muito se fala da dívida pública portuguesa nos últimos tempos e de quem é a culpa. Pois bem, este link apresenta uma distribuição da acumulação da dívida pelo vários governos.
A dívida nunca parou de descer em altura alguma desde pelo menos 1981. Como é possível os sucessivos governos não tomarem medidas para evitar este nítido crescimento insustentável? Beneficiou-se claramente uma geração com prejuízos para as seguintes. E digo propositadamente no plural, porque estando aos níveis actuais (>100% do PIB), são precisas várias dezenas de anos para a diminuir, partindo do princípio que se faz tudo bem entretanto. Não adianta culpar apenas o Sócrates ou o Cavaco, foram todos responsáveis por aumentar a dívida, sem pensar que um dia isto rebentaria.
Estima-se que, dividindo a dívida pública por cada um dos seus habitantes, cada português terá de pagar cerca de 19 mil euros. Estamos completamente enterrados até ao pescoço.
Por esse mundo fora contam-se variadíssimos casos de dívidas públicas insustentáveis. Basta observar o infográfico que o The Economist disponibiliza:
http://www.economist.com/content/global_debt_clock
Até quando vão os países suportar uma dívida insustentável? A solução tem sempre passado por imprimir moeda nova para pagar dívidas antigas, mas eventualmente isto trará ainda mais problemas. Estes pagamentos que toda a gente está obrigada a fazer, acabam por resultar numa transferência brutal e cada vez maior dos pobres para os ricos. Chegará o dia (talvez dos meus bisnetos ou nem isso) em que o mundo inteiro terá de declarar um default, cortar a dívida de uma vez por todas e arranjar um novo sistema monetário.
Parece-me que esta dúvida básica que tenho está na origem da explicação do crescimento da dívida mundial: jamais será possível pagar toda a dívida existente, porque não há dinheiro suficiente para a pagar. Se esta frase está correcta (alguém que me contrarie por favor) então significa que andamos todos a pagar indefinidamente às entidades que iniciaram todo este processo - bancos.
Muito se fala da dívida pública portuguesa nos últimos tempos e de quem é a culpa. Pois bem, este link apresenta uma distribuição da acumulação da dívida pelo vários governos.
A dívida nunca parou de descer em altura alguma desde pelo menos 1981. Como é possível os sucessivos governos não tomarem medidas para evitar este nítido crescimento insustentável? Beneficiou-se claramente uma geração com prejuízos para as seguintes. E digo propositadamente no plural, porque estando aos níveis actuais (>100% do PIB), são precisas várias dezenas de anos para a diminuir, partindo do princípio que se faz tudo bem entretanto. Não adianta culpar apenas o Sócrates ou o Cavaco, foram todos responsáveis por aumentar a dívida, sem pensar que um dia isto rebentaria.
Estima-se que, dividindo a dívida pública por cada um dos seus habitantes, cada português terá de pagar cerca de 19 mil euros. Estamos completamente enterrados até ao pescoço.
Por esse mundo fora contam-se variadíssimos casos de dívidas públicas insustentáveis. Basta observar o infográfico que o The Economist disponibiliza:
http://www.economist.com/content/global_debt_clock
Até quando vão os países suportar uma dívida insustentável? A solução tem sempre passado por imprimir moeda nova para pagar dívidas antigas, mas eventualmente isto trará ainda mais problemas. Estes pagamentos que toda a gente está obrigada a fazer, acabam por resultar numa transferência brutal e cada vez maior dos pobres para os ricos. Chegará o dia (talvez dos meus bisnetos ou nem isso) em que o mundo inteiro terá de declarar um default, cortar a dívida de uma vez por todas e arranjar um novo sistema monetário.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Desabituar os portugueses
Há montes de défices e estamos mal em quase todos eles. Apenas o défice externo merece ser celebrado e muito! Olhando para os números da tabela abaixo dá para perceber que estamos quase a ter um excedente na balança comercial externa:
Há quem tente fazer disto uma má notícia, dizendo que o défice só está assim tão bom porque existe uma recessão profunda na economia portuguesa. E não deixam de ter razão! Contudo, há que perceber que esta brutal diminuição das importações é também um factor bastante positivo para nós. Não podemos, por exemplo, andar a trocar de carro todos os anos ou de dois em dois anos. A crise está a provar que, quando o português é forçado a mudar os seus hábitos (neste caso pelas piores razões), ele consegue. Porque não continuar com estes hábitos quando a crise acabar (ahahah vai acabar vai...)?
Haverá com certeza outras coisas que não deveríamos parar de importar, sobretudo aquelas que fazem gerar emprego por cá, mas é um efeito colateral indesejado da crise. Os portugueses nunca foram habituados a poupar, nem tinham razões para isso (graças aos créditos ao preço da chuva). Dir-me-ão: ah mas os salários são uma porcaria! Pois são, mas com algum sacrifício há que conseguir poupar uns trocos. Quantas vezes não vemos um vizinho que sabemos que está desempregado a ir tomar o pequeno-almoço fora? Isto são hábitos de quem acha que o dinheiro estica para sempre. Eu tenho pena é das famílias que ganham o salário mínimo, matam-se a trabalhar e por mais que tentem poupar não conseguem. Essas sim merecem a minha solidariedade.
Fazendo um pequeno exercício de matemática, observem o que é possível poupar ao longo de 20 anos, colocando de lado 100€ todos os meses:
Há quem tente fazer disto uma má notícia, dizendo que o défice só está assim tão bom porque existe uma recessão profunda na economia portuguesa. E não deixam de ter razão! Contudo, há que perceber que esta brutal diminuição das importações é também um factor bastante positivo para nós. Não podemos, por exemplo, andar a trocar de carro todos os anos ou de dois em dois anos. A crise está a provar que, quando o português é forçado a mudar os seus hábitos (neste caso pelas piores razões), ele consegue. Porque não continuar com estes hábitos quando a crise acabar (ahahah vai acabar vai...)?
Haverá com certeza outras coisas que não deveríamos parar de importar, sobretudo aquelas que fazem gerar emprego por cá, mas é um efeito colateral indesejado da crise. Os portugueses nunca foram habituados a poupar, nem tinham razões para isso (graças aos créditos ao preço da chuva). Dir-me-ão: ah mas os salários são uma porcaria! Pois são, mas com algum sacrifício há que conseguir poupar uns trocos. Quantas vezes não vemos um vizinho que sabemos que está desempregado a ir tomar o pequeno-almoço fora? Isto são hábitos de quem acha que o dinheiro estica para sempre. Eu tenho pena é das famílias que ganham o salário mínimo, matam-se a trabalhar e por mais que tentem poupar não conseguem. Essas sim merecem a minha solidariedade.
Fazendo um pequeno exercício de matemática, observem o que é possível poupar ao longo de 20 anos, colocando de lado 100€ todos os meses:
- 20 anos * 12 meses * 100€ = 24000€
Constituindo depósitos a prazo a 4% TANB e recapitalizando os juros conseguem um valor superior: cerca de 33000€.
Com estes valores já conseguem ter uma ideia do pé-de-meia que é possível fazer em meia vida de trabalho.
domingo, 19 de agosto de 2012
Introdução para quem gosta de dinheiro
Dinheiro é o tema do momento. Não há nada que se fale mais nas notícias (excepto no verão quando se falam dos incêndios), jornais ou até nos cafés. Toda a gente anda assustada com a crise e com o que poderá acontecer no futuro, por isso decidi criar um blog onde pudesse juntar todos os assuntos relacionados com dinheiro.
Praticamente tudo o que se faz no mundo envolve o verdinho (um dos muitos sinónimos existentes) e isso permite-me escrever sobre o que eu quiser :) Opinar, criticar, queixar e reclamar são coisas que o verdadeiro português adora fazer e portanto quero que as pessoas sintam que há alguém com a mesma opinião, algures no mundo.
Uma vez que penso bastante sobre este tema durante o dia, vou tentar criar um espaço com dicas e ferramentas práticas para que todos possam poupar mais ou investir melhor o seu dinheiro. Não sendo dono da verdade, pretendo incorporar toda a informação válida que os leitores possam dar para que todos beneficiem.
Algumas das áreas que vou tentar criar neste espaço são:
Praticamente tudo o que se faz no mundo envolve o verdinho (um dos muitos sinónimos existentes) e isso permite-me escrever sobre o que eu quiser :) Opinar, criticar, queixar e reclamar são coisas que o verdadeiro português adora fazer e portanto quero que as pessoas sintam que há alguém com a mesma opinião, algures no mundo.
Uma vez que penso bastante sobre este tema durante o dia, vou tentar criar um espaço com dicas e ferramentas práticas para que todos possam poupar mais ou investir melhor o seu dinheiro. Não sendo dono da verdade, pretendo incorporar toda a informação válida que os leitores possam dar para que todos beneficiem.
Algumas das áreas que vou tentar criar neste espaço são:
CríticasOpiniões sobre decisões políticas- Crise portuguesa/europeia
- Polémicas e escândalos financeiros ou com dinheiros públicos
- Dicas e ferramentas para poupar no dia-a-dia
- Investimentos básicos (depósitos a prazo, etc)
- Coisas engraçadas sobre dinheiro
Deixo-vos com um diagrama brutal e que vale a pena gastar alguns minutos a analisá-lo.
(Atenção que a imagem é muito grande (~7,5Mb) e pode demorar algum tempo a abrir)
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