Aqui encontram uma infografia sobre a dívida de alguns países europeus. Vale a pena ver.
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
É a Grécia que deve à Alemanha ou o contrário?
Depois de ver o artigo com o título abaixo fiquei curioso:
Reparações de guerra. Governo grego afirma que Alemanha deve 162 mil milhões
Reparações de guerra. Governo grego afirma que Alemanha deve 162 mil milhões
Após a segunda guerra mundial terá havido um perdão gigantesco de dívida à Alemanha, para que esta se pudesse recuperar. E não estamos a falar de um perdão ao estilo grego - de 160% do PIB para 120% - mas sim de um perdão a sério. A confirmarem-se estes valores, acredito que deva ser extremamente frustrante para os gregos se sujeitarem a condições cruéis por parte do seu maior devedor.
Esta quantia é capaz de reduzir para metade o valor da actual dívida pública grega e é por isso que é politicamente relevante que este relatório tenha aparecido. Não me acredito em qualquer tipo de benevolência dos alemães, mas pode ser que os faça lembrar que por várias vezes a Europa os ajudou. Talvez fosse altura de fazerem o mesmo.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Perceber a dívida pública
Recentemente li um relatório feito por cidadãos que não estão directamente ligados à política e que tentam explicar o que é a dívida, como é que a contraímos, quem beneficiou dela, etc.
Toda a argumentação é baseada factos e noutros relatórios de instituições oficiais, pelo que os números lá apresentados parecem ser verdadeiros. O conteúdo é bastante acessível, não sendo necessários conhecimentos avançados de economia e finanças.
De entre muitas excelentes explicações sobre mitos, gostei de ver contrariada a ideia de que apenas os défices é que determinam o aumento da dívida pública. A obsessão deste governo e também da Europa em torno dos défices é exagerada, dado que se consegue contrariar a subida da dívida com crescimento económico. Olhando para o gráfico abaixo é possível verificar que a dívida nem sempre subiu, enquanto os défices sempre existiram por cá. Ora foram justamente nos anos em que mais crescemos (década de 90) que conseguimos tornar a dívida sustentável.
Concluindo, não é só através da redução do défice (que também é importante) que se reduz a dívida pública, mas também através do aumento do PIB. Sabendo que o nosso PIB está muito relacionado com o consumo interno, não me parece que estejam a ser tomadas as medidas certas.
Toda a argumentação é baseada factos e noutros relatórios de instituições oficiais, pelo que os números lá apresentados parecem ser verdadeiros. O conteúdo é bastante acessível, não sendo necessários conhecimentos avançados de economia e finanças.
De entre muitas excelentes explicações sobre mitos, gostei de ver contrariada a ideia de que apenas os défices é que determinam o aumento da dívida pública. A obsessão deste governo e também da Europa em torno dos défices é exagerada, dado que se consegue contrariar a subida da dívida com crescimento económico. Olhando para o gráfico abaixo é possível verificar que a dívida nem sempre subiu, enquanto os défices sempre existiram por cá. Ora foram justamente nos anos em que mais crescemos (década de 90) que conseguimos tornar a dívida sustentável.
Concluindo, não é só através da redução do défice (que também é importante) que se reduz a dívida pública, mas também através do aumento do PIB. Sabendo que o nosso PIB está muito relacionado com o consumo interno, não me parece que estejam a ser tomadas as medidas certas.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Rigor orçamental
O Eurostat publicou um relatório sobre os défices efectivos do ano de 2011 nos países da União Europeia e em particular, da Zona Euro. É engraçado verificar que esta obsessão orçamental não é respeitada por quase país nenhum, incluindo a Alemanha. Eles que falam do topo de um pedestal, tiveram um défice de 0,8% em 2011. Não é muito, mas é suficiente para lhes tirar muita da moral.
Também no capítulo da dívida, os alemães estão em violação dos tratados Europeus, em que o tecto estabelecido é de 60% do PIB: registou em 2011 uma dívida de 80,5%.
Na semana que passou, o principal líder da oposição na Alemanha avançou com um número interessante (as palavras não são exactas): "Se cortássemos na Alemanha o que Portugal tem de cortar em percentagem, teríamos de explicar muito bem à população por que razão iríamos cortar cerca de 150 mil milhões do orçamento".
É este trabalho de sensibilização da opinião pública dos países do norte que é preciso fazer. Os políticos de lá, tais como os daqui, dizem o que for preciso para ganhar o voto das pessoas. Ora, por lá, têm ganho votos aqueles que dizem que o Sul se portou mal e que eles nos estão a dar dinheiro ao desbarato. Pois é precisamente graças a esta crise que a Alemanha (e outros) têm facturado imenso, senão vejamos alguns argumentos:
Também no capítulo da dívida, os alemães estão em violação dos tratados Europeus, em que o tecto estabelecido é de 60% do PIB: registou em 2011 uma dívida de 80,5%.
Na semana que passou, o principal líder da oposição na Alemanha avançou com um número interessante (as palavras não são exactas): "Se cortássemos na Alemanha o que Portugal tem de cortar em percentagem, teríamos de explicar muito bem à população por que razão iríamos cortar cerca de 150 mil milhões do orçamento".
É este trabalho de sensibilização da opinião pública dos países do norte que é preciso fazer. Os políticos de lá, tais como os daqui, dizem o que for preciso para ganhar o voto das pessoas. Ora, por lá, têm ganho votos aqueles que dizem que o Sul se portou mal e que eles nos estão a dar dinheiro ao desbarato. Pois é precisamente graças a esta crise que a Alemanha (e outros) têm facturado imenso, senão vejamos alguns argumentos:
- O índice bolsista DAX tem estado em valores próximos de máximos históricos.
- As obrigações do tesouro alemãs são emitidas a juros negativos.
- Emprestam aos países em dificuldades a 3%, 4% ou 5% e impõem medidas para que a população lhes pague de volta.
Não é com este tipo de atitude que se constrói uma Europa solidária. Já temos o castigo das medidas de austeridade, porquê pagar juros altos e ser duplamente castigado? Quando é que vamos ter um líder português que bata o pé no chão?
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Dívida pública
A dívida é um conceito engraçado inventado por um conjunto de banqueiros e que representa o preço de um empréstimo. Não sendo economista, nem nada que se pareça, faz-me confusão como é que tudo começou. Imprimiu-se a primeira nota de 10€ e emprestou-se a troco de 11€? De onde vem o euro adicional?
Parece-me que esta dúvida básica que tenho está na origem da explicação do crescimento da dívida mundial: jamais será possível pagar toda a dívida existente, porque não há dinheiro suficiente para a pagar. Se esta frase está correcta (alguém que me contrarie por favor) então significa que andamos todos a pagar indefinidamente às entidades que iniciaram todo este processo - bancos.
Muito se fala da dívida pública portuguesa nos últimos tempos e de quem é a culpa. Pois bem, este link apresenta uma distribuição da acumulação da dívida pelo vários governos.
A dívida nunca parou de descer em altura alguma desde pelo menos 1981. Como é possível os sucessivos governos não tomarem medidas para evitar este nítido crescimento insustentável? Beneficiou-se claramente uma geração com prejuízos para as seguintes. E digo propositadamente no plural, porque estando aos níveis actuais (>100% do PIB), são precisas várias dezenas de anos para a diminuir, partindo do princípio que se faz tudo bem entretanto. Não adianta culpar apenas o Sócrates ou o Cavaco, foram todos responsáveis por aumentar a dívida, sem pensar que um dia isto rebentaria.
Estima-se que, dividindo a dívida pública por cada um dos seus habitantes, cada português terá de pagar cerca de 19 mil euros. Estamos completamente enterrados até ao pescoço.
Por esse mundo fora contam-se variadíssimos casos de dívidas públicas insustentáveis. Basta observar o infográfico que o The Economist disponibiliza:
http://www.economist.com/content/global_debt_clock
Até quando vão os países suportar uma dívida insustentável? A solução tem sempre passado por imprimir moeda nova para pagar dívidas antigas, mas eventualmente isto trará ainda mais problemas. Estes pagamentos que toda a gente está obrigada a fazer, acabam por resultar numa transferência brutal e cada vez maior dos pobres para os ricos. Chegará o dia (talvez dos meus bisnetos ou nem isso) em que o mundo inteiro terá de declarar um default, cortar a dívida de uma vez por todas e arranjar um novo sistema monetário.
Parece-me que esta dúvida básica que tenho está na origem da explicação do crescimento da dívida mundial: jamais será possível pagar toda a dívida existente, porque não há dinheiro suficiente para a pagar. Se esta frase está correcta (alguém que me contrarie por favor) então significa que andamos todos a pagar indefinidamente às entidades que iniciaram todo este processo - bancos.
Muito se fala da dívida pública portuguesa nos últimos tempos e de quem é a culpa. Pois bem, este link apresenta uma distribuição da acumulação da dívida pelo vários governos.
A dívida nunca parou de descer em altura alguma desde pelo menos 1981. Como é possível os sucessivos governos não tomarem medidas para evitar este nítido crescimento insustentável? Beneficiou-se claramente uma geração com prejuízos para as seguintes. E digo propositadamente no plural, porque estando aos níveis actuais (>100% do PIB), são precisas várias dezenas de anos para a diminuir, partindo do princípio que se faz tudo bem entretanto. Não adianta culpar apenas o Sócrates ou o Cavaco, foram todos responsáveis por aumentar a dívida, sem pensar que um dia isto rebentaria.
Estima-se que, dividindo a dívida pública por cada um dos seus habitantes, cada português terá de pagar cerca de 19 mil euros. Estamos completamente enterrados até ao pescoço.
Por esse mundo fora contam-se variadíssimos casos de dívidas públicas insustentáveis. Basta observar o infográfico que o The Economist disponibiliza:
http://www.economist.com/content/global_debt_clock
Até quando vão os países suportar uma dívida insustentável? A solução tem sempre passado por imprimir moeda nova para pagar dívidas antigas, mas eventualmente isto trará ainda mais problemas. Estes pagamentos que toda a gente está obrigada a fazer, acabam por resultar numa transferência brutal e cada vez maior dos pobres para os ricos. Chegará o dia (talvez dos meus bisnetos ou nem isso) em que o mundo inteiro terá de declarar um default, cortar a dívida de uma vez por todas e arranjar um novo sistema monetário.
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