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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Rigor orçamental

O Eurostat publicou um relatório sobre os défices efectivos do ano de 2011 nos países da União Europeia e em particular, da Zona Euro. É engraçado verificar que esta obsessão orçamental não é respeitada por quase país nenhum, incluindo a Alemanha. Eles que falam do topo de um pedestal, tiveram um défice de 0,8% em 2011. Não é muito, mas é suficiente para lhes tirar muita da moral.

Também no capítulo da dívida, os alemães estão em violação dos tratados Europeus, em que o tecto estabelecido é de 60% do PIB: registou em 2011 uma dívida de 80,5%.

Na semana que passou, o principal líder da oposição na Alemanha avançou com um número interessante (as palavras não são exactas): "Se cortássemos na Alemanha o que Portugal tem de cortar em percentagem, teríamos de explicar muito bem à população por que razão iríamos cortar cerca de 150 mil milhões do orçamento".

É este trabalho de sensibilização da opinião pública dos países do norte que é preciso fazer. Os políticos de lá, tais como os daqui, dizem o que for preciso para ganhar o voto das pessoas. Ora, por lá, têm ganho votos aqueles que dizem que o Sul se portou mal e que eles nos estão a dar dinheiro ao desbarato. Pois é precisamente graças a esta crise que a Alemanha (e outros) têm facturado imenso, senão vejamos alguns argumentos:


  • O índice bolsista DAX tem estado em valores próximos de máximos históricos.
  • As obrigações do tesouro alemãs são emitidas a juros negativos.
  • Emprestam aos países em dificuldades a 3%, 4% ou 5% e impõem medidas para que a população lhes pague de volta.

Não é com este tipo de atitude que se constrói uma Europa solidária. Já temos o castigo das medidas de austeridade, porquê pagar juros altos e ser duplamente castigado? Quando é que vamos ter um líder português que bata o pé no chão?

sábado, 29 de setembro de 2012

Esperança média de vida

Em Espanha preparam-se para aumentar a idade da reforma para os 67 anos, o que tem sido levado a mal por todos os trabalhadores. Eu, como um deles, tenho uma opinião dividida sobre o assunto. Por um lado é natural que após 40 e tal anos de trabalho, uma pessoa queira descansar confortavelmente. Por outro lado, para que uns descansem, os outros terão de levar com mais impostos nos seus rendimentos para suportar os reformados.

Foi por isso que foi ao Eurostat verificar quais são as esperanças médias de vida nos países europeus. Vários factos que concluí:

  1. As mulheres continuam a viver mais uns anos que homens (entre 4 e 10 mais ou menos).
  2. Portugal tem das piores esperanças médias de vida da Europa.
  3. Pode parecer injusto, mas as mulheres têm mais capacidade para trabalhar mais anos do que os homens. Se tivermos todos de trabalhar até aos 67, as mulheres portugueses terão oportunidade de gozar 11 anos de reforma em média, enquanto os homens se ficam pelos 4.

Não me parece descabido que se aumente mais a idade a reforma das mulheres do que a dos homens. Não direi na proporção, mas talvez mais um ano já seria mais justo.

Esperança média de vida das mulheres na Europa:




Esperança média de vida dos homens na Europa: