A DECO lançou recentemente uma campanha para fazer baixar o preço da electricidade das famílias portuguesas. A ideia é negociar o preço da electricidade colectivamente, fazendo leilões com os vários fornecedores em Portugal. Este movimento foi inspirado no que aconteceu noutros países onde o mercado de electricidade também foi liberalizado.
Supostamente, negociando 300 mil contractos em vez de apenas um, dá uma certa vantagem para os consumidores (coisa rara hoje em dia). No entanto, conhecendo a veia monopolista das empresas de energia que actuam em Portugal, falta perceber qual é o "mas...". É que mesmo que tenham combinado entre si o preço a apresentar no leilão, correm o risco de perder milhares de clientes de um dia para o outro. Estou muito curioso para ver como é que isto se vai desenrolar, mas certamente que já existem grupos de trabalho em cada uma destas empresas para perceber qual a melhor estratégia para lixar o consumidor.
De qualquer das maneiras, grande iniciativa da DECO!
www.paguemenosluz.pt
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terça-feira, 5 de março de 2013
sábado, 3 de novembro de 2012
Poupança dos portugueses
Foi notícia esta semana o facto de os portugueses estarem a poupar cerca de 11€ em cada 100€ que ganhavam. Aliás, parece que a taxa aumentou para este valor, sendo que anteriormente eram 10,7€. Não sei bem o que concluir daqui, mas só estou a ver duas hipóteses: ou os portugueses ganham realmente pouco (opção mais provável) ou então têm o hábito/vício de gastar quase até ao último tostão. Parece surreal, mas até há bem pouco tempo, quando o crédito era barato e abundante, havia a tendência de gastar o salário todo e ainda ficar a dever. Não consigo compreender como é que consegue viver (agora sim) assim das possibilidades, sem temer que um dia o dinheiro não vai chegar.
Assusta-me que apenas sejam poupados tão poucos euros em relação ao que se ganha. Este valor médio significa que uma pessoa que ganhe 1000€ só ponha 110€ de lado todos os meses ou então que uma pessoa que ganhe 5000€ só consiga poupar 550€. No primeiro caso, não há-de ser muito fácil poupar mais dados os preços das coisas, mas o segundo tem obrigação de conseguir poupar mais. Se, de um dia para o outro, houver uma quebra de rendimento (o Gaspar está sempre a fazê-las), esta pessoa vai ter de se sujeitar a uma vida completamente diferente, sofrendo provavelmente mais do choque do que a que ganha 1000€.
Quanto aos que ganham o salário mínimo é literalmente impossível poupar. Acredito que sejam necessárias privações que muita gente não estaria disposta a aceitar. Para estas pessoas, deixo aqui o meu apreço.
Assusta-me que apenas sejam poupados tão poucos euros em relação ao que se ganha. Este valor médio significa que uma pessoa que ganhe 1000€ só ponha 110€ de lado todos os meses ou então que uma pessoa que ganhe 5000€ só consiga poupar 550€. No primeiro caso, não há-de ser muito fácil poupar mais dados os preços das coisas, mas o segundo tem obrigação de conseguir poupar mais. Se, de um dia para o outro, houver uma quebra de rendimento (o Gaspar está sempre a fazê-las), esta pessoa vai ter de se sujeitar a uma vida completamente diferente, sofrendo provavelmente mais do choque do que a que ganha 1000€.
Quanto aos que ganham o salário mínimo é literalmente impossível poupar. Acredito que sejam necessárias privações que muita gente não estaria disposta a aceitar. Para estas pessoas, deixo aqui o meu apreço.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Desabituar os portugueses
Há montes de défices e estamos mal em quase todos eles. Apenas o défice externo merece ser celebrado e muito! Olhando para os números da tabela abaixo dá para perceber que estamos quase a ter um excedente na balança comercial externa:
Há quem tente fazer disto uma má notícia, dizendo que o défice só está assim tão bom porque existe uma recessão profunda na economia portuguesa. E não deixam de ter razão! Contudo, há que perceber que esta brutal diminuição das importações é também um factor bastante positivo para nós. Não podemos, por exemplo, andar a trocar de carro todos os anos ou de dois em dois anos. A crise está a provar que, quando o português é forçado a mudar os seus hábitos (neste caso pelas piores razões), ele consegue. Porque não continuar com estes hábitos quando a crise acabar (ahahah vai acabar vai...)?
Haverá com certeza outras coisas que não deveríamos parar de importar, sobretudo aquelas que fazem gerar emprego por cá, mas é um efeito colateral indesejado da crise. Os portugueses nunca foram habituados a poupar, nem tinham razões para isso (graças aos créditos ao preço da chuva). Dir-me-ão: ah mas os salários são uma porcaria! Pois são, mas com algum sacrifício há que conseguir poupar uns trocos. Quantas vezes não vemos um vizinho que sabemos que está desempregado a ir tomar o pequeno-almoço fora? Isto são hábitos de quem acha que o dinheiro estica para sempre. Eu tenho pena é das famílias que ganham o salário mínimo, matam-se a trabalhar e por mais que tentem poupar não conseguem. Essas sim merecem a minha solidariedade.
Fazendo um pequeno exercício de matemática, observem o que é possível poupar ao longo de 20 anos, colocando de lado 100€ todos os meses:
Há quem tente fazer disto uma má notícia, dizendo que o défice só está assim tão bom porque existe uma recessão profunda na economia portuguesa. E não deixam de ter razão! Contudo, há que perceber que esta brutal diminuição das importações é também um factor bastante positivo para nós. Não podemos, por exemplo, andar a trocar de carro todos os anos ou de dois em dois anos. A crise está a provar que, quando o português é forçado a mudar os seus hábitos (neste caso pelas piores razões), ele consegue. Porque não continuar com estes hábitos quando a crise acabar (ahahah vai acabar vai...)?
Haverá com certeza outras coisas que não deveríamos parar de importar, sobretudo aquelas que fazem gerar emprego por cá, mas é um efeito colateral indesejado da crise. Os portugueses nunca foram habituados a poupar, nem tinham razões para isso (graças aos créditos ao preço da chuva). Dir-me-ão: ah mas os salários são uma porcaria! Pois são, mas com algum sacrifício há que conseguir poupar uns trocos. Quantas vezes não vemos um vizinho que sabemos que está desempregado a ir tomar o pequeno-almoço fora? Isto são hábitos de quem acha que o dinheiro estica para sempre. Eu tenho pena é das famílias que ganham o salário mínimo, matam-se a trabalhar e por mais que tentem poupar não conseguem. Essas sim merecem a minha solidariedade.
Fazendo um pequeno exercício de matemática, observem o que é possível poupar ao longo de 20 anos, colocando de lado 100€ todos os meses:
- 20 anos * 12 meses * 100€ = 24000€
Constituindo depósitos a prazo a 4% TANB e recapitalizando os juros conseguem um valor superior: cerca de 33000€.
Com estes valores já conseguem ter uma ideia do pé-de-meia que é possível fazer em meia vida de trabalho.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Férias Low Cost
Mesmo em plena crise é importante tirar alguns dias do ano para descansar e fazer o que realmente gosta. Aliás, com tanta notícia negativa que passa nas televisões e jornais, é mais urgente do que nunca afastar-se deste cenário. Embora seja quase Setembro, é sempre útil relembrar algumas dicas para fazer férias com orçamentos pequenos.
São cerca de 100€ de diferença, que podem ser gastos noutras actividades.
Só não sigo à risca este plano quando estou num sítio onde a comida é extremamente boa. Aí sim, vale a pena fazer algumas refeições fora, mas sem exageros. Comer fora todos os dias acaba por massacrar o sistema digestivo (if you know what I mean).
Planeie com antecedência
Há quem goste de planear com antecedência e há quem goste de aproveitar as promoções de última hora. Penso que os dois funcionam dependendo da pessoa e da flexibilidade do destino de férias. Pessoalmente prefiro o planeamento porque já tenho em mente o destino que pretendo visitar, mas um dia destes experimento escolher à última hora.
Planear significa pensar com antecedência pelos menos três coisas sobre uma viagem: tipo de férias (praia, cidade, campo, etc), orçamento e datas em que pode viajar. É com estes factores que vai tomar todas as decisões daqui para a frente. Se conseguir tirar férias em qualquer altura do ano, poderá poupar até 30 ou 40% do que gastaria se fosse em época alta.
Resumindo, quanto mais cedo começar a pensar para onde e quando quer ir, menos dinheiro irá gastar e menos stress de última hora irá ter.
Use e abuse da Internet
Para a maioria das coisas, a internet oferece preços inferiores aos normais. Muito provavelmente vai precisar de um voo, de um hotel ou de um apartamento, por isso nada melhor do que pesquisar e comparar preços online. Pela minha (pouca) experiência diria que se conseguem descontos até 15% em relação à compra directa na empresa.
Hotéis
Para hotéis recomendo o agregador Hotels Combined, que disponibiliza os preços de vários operadores turísticos sobre o mesmo hotel. Desta forma consegue-se rapidamente comparar o que pratica o maior desconto.
Recomendo também que visite vários sites que oferecem estadias no mesmo hotel, para que possa comprovar que as fotografias representam bem a realidade (já tive surpresas desagradáveis). Os comentários também são uma excelente maneira de se ficar com uma percepção do quarto. Hoje em dia, eles são categorizados por faixas etárias, o que significa que pode apenas ler opiniões de pessoas com uma idade semelhante à sua. Não se esqueça de ler vários comentários, porque há sempre quem diga que um pequeno-almoço é terrível porque não tem uma manteiga com sabor a manjericão ou um iogurte de carne assada.
Na minha opinião, dois bons sites de hotéis são:
Voos
No que respeita a voos, penso que as melhores opções são dois agregadores:
Se escolher uma companhia low cost, nunca deixe de ir até ao último passo da reserva, de maneira a verificar o preço final. Normalmente o uso de cartões de crédito tem associada uma taxa relevante (20€ ou 30€) que pode fazer a diferença.
Apartamentos
Esta modalidade é a minha favorita. Um quarto de hotel é geralmente pequeno e não é prático para as tarefas do dia-a-dia (sim, apesar de se estar em férias é preciso na mesma tratar por exemplo da roupa, nem que seja empilhá-la num canto). Um apartamento tem bastante mais espaço e comodidades como máquina de lavar a roupa, micro ondas e afins. Além disso, fica muito mais barato fazer algumas refeições no apartamento (se não a maioria). A poupança que se consegue com as refeições chega e sobra para poder visitar tudo o que pretende. Caso prático para 7 dias de estadia (14 refeições):
| Hotel | Apartamento |
|---|---|
| 14x12€ = 168€ | 14x5€ = 70 |
São cerca de 100€ de diferença, que podem ser gastos noutras actividades.
Só não sigo à risca este plano quando estou num sítio onde a comida é extremamente boa. Aí sim, vale a pena fazer algumas refeições fora, mas sem exageros. Comer fora todos os dias acaba por massacrar o sistema digestivo (if you know what I mean).
Estude detalhadamente o seu destino
Não é preciso deslocar-se a uma agência de viagens para organizar a sua viagem. Se realmente gostar de viajar, então estará a desperdiçar uma das melhores partes: analisar o que de melhor dá para ver e fazer no seu destino. É das coisas que mais adoro e quem me tira isso tira-me uma grande percentagem do prazer total das férias.
Para se inteirar de todos os detalhes deliciosos, basta pesquisar no Google. Existem inúmeros blogs que relatam as viagens que fizeram e com certeza que haverá um sobre o destino que pensou. Além disso, existem dois sites que costumo visitar e ambos têm apps para o smartphone:
- TripAdvisor (neste costumo utilizar uma técnica que me ensinaram: se souber a língua, tente ler os comentários e opiniões na língua nativa. Os nativos têm sempre um conhecimento superior aos outros)
- GuidePal
Estude a rede de transportes públicos do seu destino e escolha um hotel ou apartamento num ponto da cidade onde seja fácil movimentar-se (à beira de uma estação do metro ou paragem de autocarros). É
Nesta altura, irá ter em mente os locais a visitar e como se deslocar para chegar até eles. Resta saber que bilhete de transporte lhe compensa comprar. Às vezes é possível a um cidadão estrangeiro tirar um passe tal e qual como se vivesse nessa cidade, o que é uma grande vantagem. Investigue bem qual o passe que serve para visitar todos os locais que pretende visitar e não caia em tentação de comprar logo o passe de turista. Várias cidades implementaram este esquema, mas só compensa a quem for visitar uma grande percentagem dos locais lá assinalados. Entre nos sites, faça contas ao preço dos bilhetes e verifique o que realmente lhe compensa.
Nesta altura, irá ter em mente os locais a visitar e como se deslocar para chegar até eles. Resta saber que bilhete de transporte lhe compensa comprar. Às vezes é possível a um cidadão estrangeiro tirar um passe tal e qual como se vivesse nessa cidade, o que é uma grande vantagem. Investigue bem qual o passe que serve para visitar todos os locais que pretende visitar e não caia em tentação de comprar logo o passe de turista. Várias cidades implementaram este esquema, mas só compensa a quem for visitar uma grande percentagem dos locais lá assinalados. Entre nos sites, faça contas ao preço dos bilhetes e verifique o que realmente lhe compensa.
Outros meios de poupar nas férias
Ultimamente tem-se falado de outras formas de férias que me parecem ser bastante económicas, mas que poderão não se adequar à personalidade de toda a gente:
- Trocar de casa com outras pessoas (ver artigo do DinheiroVivo) - evita despesas com o aluguer de apartamentos ou hotéis.
- Couchsurfing - semelhante ao anterior, mas em vez de trocarem ao mesmo tempo, o anfitrião recebe o viajante "no seu sofá".
- Férias em países com moeda mais fraca que o euro - uma grande ideia para gastar pouco dinheiro, mas que obriga a fazer grandes viagens.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
6 dicas para poupar no combustível
Sabendo que os combustíveis constituem uma despesa significativa das famílias, eis que apresento 6 dicas para conseguir poupar algum dinheiro. Se o leitor for como eu e não quer abdicar do conforto do seu automóvel, leia os capítulos seguintes, caso contrário arranje um dos muitos meios de transporte alternativos.
1. Gasolineiras low-cost
Já perdi a conta ao número de discussões que tive (umas mais amigáveis que outras) sobre este tema. Está profundamente enraizada na sociedade portuguesa a ideia de que os combustíveis do Intermarché, Pingo Doce ou Jumbo são de qualidade inferior. Não é! A qualidade mínima dos combustíveis é determinada por lei, não havendo espaço para "maus" combustíveis. A velhinha história dos "aditivos" também não tem fundamento científico nenhum, uma vez que nunca foi apresentado qualquer estudo até à data. Aliás, se houvesse um método científico para comprovar que com a gasolina A é possível fazer mais 50% dos quilómetros do que com a gasolina B, este seria um trunfo brutal do departamento de marketing das grandes marcas.
Vejam o vídeo abaixo que explica melhor estas coisas:
2. Modo de condução
Uma vez que meço os meus consumos ao longo do tempo, consigo dizer-vos qual a minha taxa de poupança que é possível com a alteração do modo de condução: 9%. Contudo, a poupança varia consoante o tipo de carro e combustível, entre outros.
Há diversas maneiras de conseguir um consumo mais baixo, nomeadamente:
- Conduzir a velocidades mais baixas (sem empatar o trânsito, pois claro!). Desde que baixei a minha velocidade em vias rápidas e auto estradas para 100 km/h, que o consumo decresceu imenso.
- Arranques menos bruscos.
- Tentar prever como o trânsito e os semáforos se vão comportar. Normalmente os semáforos estão sincronizados uns com os outros, por isso é possível sabermos qual a velocidade necessária para passar a rua toda no verde. Outra coisa que se vê muito na estrada são aquelas pessoas que nos ultrapassam para depois pararem no semáforo vermelho logo à frente. Se tivermos a capacidade de o ver ao longe, escusamos de fazer estas figuras tristes.
- Nunca andar em "ponto-morto". Se estivermos com uma velocidade engatada em andamento, gastamos 0 litros, enquanto que se formos em ponto-morto gastamos o mesmo que em relanti. Já para não falar nos problemas de controlo do carro...
- Conduzir com os pneus na pressão certa.
3. Controlo de gastos mensais
Quem tem um computador de bordo no carro pode e deve acompanhar a evolução dos seus consumos ao longo do tempo. Quem não tem pode registar os seus consumos numa folha de excel ou numa app para o telemóvel (meu caso). A app tem a grande vantagem de se poder tratar os dados como que quiser, oferecendo perspectivas que um computador de bordo não dá.
Ter uma noção dos consumos, preço dos combustíveis e quilómetros percorridos permite estabelecer objectivos para o futuro. Quase automaticamente, vamos tentando gastar menos do que no depósito anterior.
Um dia destes apresento a que programei em Android para mim.
4. Partilhar o carro
Esta é muito simples: se na sua empresa tem colegas de trabalho que moram perto de si, proponha um sistema rotativo dos vossos carros. Mesmo que só haja uma pessoa com quem possa partilhar já vale a pena cortar a despesa em metade.
Existem ainda alternativas de carpooling na internet, mas nem todos estão dispostos a partilhar o carro com desconhecidos - http://www.carpool.com.pt/
5. Aproveitar promoções/descontos
Existem diversos tipos de descontos por parte das distribuidoras de combustíveis, que envolvem muitas vezes despesas noutros produtos. Se por acaso já é consumidor desses produtos então valerá bastante a pena aproveitar as campanhas. Seguem-se alguns exemplos duma lista que provavelmente ascenderá a algumas dezenas:
- Galp/Sonae (Continente)
- Pingo Doce/BP
- ACP/BP
- Repsol/Montepio
- Cepsa/BriCor
6. Calcular percursos antecipadamente e optimizá-los
Obter o percurso óptimo entre o ponto A e o ponto B nem sempre é fácil. A internet e os GPSs facilitaram imenso esta tarefa, pelo que devem usar estas ferramentas sempre que possível.
Se o percurso é repetitivo podem fazer optimizações tais como conhecer alternativas aos vários segmentos do percurso. Se de repente uma estrada está em obras ou se sabem que a uma determinada hora há lá muito trânsito, devem saber como se desviar da maneira mais optimizada possível. Para ficarem a conhecer os atalhos, nada como perguntar aos vossos colegas. Há alguns que nunca na vida os iria conhecer se não fossem eles.
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