O gráfico abaixo mostra um indicador interessante, que mostra muito sobre o estado de desenvolvimento de cada país. Trata-se do número de dias que um trabalhador de uma empresa precisa de trabalhar para ganhar o mesmo que uma hora de trabalho do seu CEO.
Há uma relação quase directa, em que quanto maior a diferença de salário mais atrasado está o país. Portugal surge numa má posição, em que um trabalhador médio precisa de trabalhar 7 dias para ganhar o mesmo que 1 hora do seu CEO.
Milton Friedman foi um economista de renome dos Estados Unidos durante o século XX. Era um defensor do liberalismo económico e no vídeo abaixo podemos ouvir a argumentação que ele tem para que não se taxem as empresas (vulgo IRC).
De facto, ele consegue construir uma lógica bem estruturada e tem razão em vários pontos. Quando se está a taxar uma empresa está-se a taxar automaticamente as pessoas que nela trabalham, assim como os consumidores finais.
A meu ver, faz tudo sentido até ao ponto em que acha que isso é argumento suficiente para acabar com o IRC. Este imposto é, tal como o IRS, um imposto progressivo. Ou seja, retira mais às empresas que ganham mais e não retira nada às que têm prejuízo. Posto isto, dá para perceber que a existência deste imposto confere um certo grau de estabilidade e justiça. É graças a este imposto (não só mas em certa medida) que é possível evitar que empresas gigantes esmaguem empresas mais pequenas com muita facilidade.
Se vai acabar por taxar o trabalhador ou o consumidor final? Sem dúvida. Mais vai taxar alguém com capacidade para o pagar e isso faz toda a diferença.
É um daqueles chavões com conotação negativa para a grande maioria das pessoas. Eu sinto-me incluído nesse grupo, até porque os defensores do capitalismo só me dão razões para isso. Desta vez, foi o CEO da Google a proclamar o seu orgulho por ter conseguido fugir aos impostos.
É triste constatar que os impostos tendem a subir para a população que trabalha e a descer para as grande corporações. Parece uma visão ideologicamente comunista, mas a verdade está à vista de todos e o tempo em que se podia chamar (com razão) de anti-capitalistas aos comunistas já está a passar à história. Neste momento é muito mais claro que tem havido uma transferência gigantesca de dinheiro para os grandes grupos económicos, ao ponto de toda a Europa se manifestar contra o assunto.
Outro exemplo de quem hipóteses de fugir aos impostos é o de Gérard Depardieu.
Depois do anúncio da taxa de solidariedade francesa de 75%, têm sido várias as pessoas abastadas que têm vendido activos em França e comprado na Bélgica. Contudo, este exemplo não é comparável com o da Google, uma vez que esta se está a tentar livrar duma taxa de 30 ou mais por cento, enquanto os franceses estão se estão a tentar livrar duma taxa de 75%. Penso que Hollande exagerou e que o tiro lhe vai sair pela culatra.