O Economist publicou um artigo que contém o gráfico abaixo e que diz respeito aos preços praticados em vários países da Europa. Portugal, como país próspero que é, tem preços acima da média europeia. Não sei que mais argumentos são precisos para constatarmos que estamos a ser extorquidos.
A energia está presente em praticamente todos os sectores, sendo ela electricidade, gás ou gasóleo. O preço da energia é portanto determinante para a competitividade da economia e no nosso caso é bastante desfavorável. Empresas com necessidades elevadas de electricidade não virão com certeza investir em Portugal. Por mais barata que a mão-de-obra seja, o custo da energia é demasiado elevado para se conseguir compensar.
O nosso governo tem andado preocupado em baixar salários, em vez de reduzir drasticamente todos estes custos de contexto que impedem, estes sim, de Portugal se tornar um país competitivo.
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sábado, 11 de maio de 2013
Preços da electricidade na Europa
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
Europa a várias velocidades
Há duas semanas atrás o presidente do Banco Central Europeu apresentou aos representantes dos países da moeda única os slides deste link.
Um dos gráficos que me saltou à vista foi o que está abaixo. Representa os spreads praticados pelos bancos de 4 países às PME. Reparamos que os valores da Alemanha e França são substancialmente inferiores ao da Espanha e mesmo da Itália. Aposto que em relação a Portugal seria menos de metade do custo.
Ora, como é possível falar em competitividade se as condições de financiamento são totalmente diferentes? A mesma empresa em países diferentes é obrigada a praticar salários mais baixos ou preços mais altos nos países com maior dificuldade de acesso ao crédito. Com o agudizar da crise, este fosso só vai continuar a aumentar.
Já cheguei a um ponto em que para mim só há duas alternativas claras: uma convergência total das economias europeias ou uma separação definitiva da moeda única. A convergência implica financiamento igual para todas as empresas, regime fiscal semelhante e salários proporcionais. Desta maneira todos os países ganhariam um pouco, ao contrário do que acontece agora, em que uns ganham muito à custa dos outros.
Um dos gráficos que me saltou à vista foi o que está abaixo. Representa os spreads praticados pelos bancos de 4 países às PME. Reparamos que os valores da Alemanha e França são substancialmente inferiores ao da Espanha e mesmo da Itália. Aposto que em relação a Portugal seria menos de metade do custo.
Ora, como é possível falar em competitividade se as condições de financiamento são totalmente diferentes? A mesma empresa em países diferentes é obrigada a praticar salários mais baixos ou preços mais altos nos países com maior dificuldade de acesso ao crédito. Com o agudizar da crise, este fosso só vai continuar a aumentar.
Já cheguei a um ponto em que para mim só há duas alternativas claras: uma convergência total das economias europeias ou uma separação definitiva da moeda única. A convergência implica financiamento igual para todas as empresas, regime fiscal semelhante e salários proporcionais. Desta maneira todos os países ganhariam um pouco, ao contrário do que acontece agora, em que uns ganham muito à custa dos outros.
No half measures!
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Almoços grátis
Milton Friedman foi um economista de renome dos Estados Unidos durante o século XX. Era um defensor do liberalismo económico e no vídeo abaixo podemos ouvir a argumentação que ele tem para que não se taxem as empresas (vulgo IRC).
De facto, ele consegue construir uma lógica bem estruturada e tem razão em vários pontos. Quando se está a taxar uma empresa está-se a taxar automaticamente as pessoas que nela trabalham, assim como os consumidores finais.
A meu ver, faz tudo sentido até ao ponto em que acha que isso é argumento suficiente para acabar com o IRC. Este imposto é, tal como o IRS, um imposto progressivo. Ou seja, retira mais às empresas que ganham mais e não retira nada às que têm prejuízo. Posto isto, dá para perceber que a existência deste imposto confere um certo grau de estabilidade e justiça. É graças a este imposto (não só mas em certa medida) que é possível evitar que empresas gigantes esmaguem empresas mais pequenas com muita facilidade.
Se vai acabar por taxar o trabalhador ou o consumidor final? Sem dúvida. Mais vai taxar alguém com capacidade para o pagar e isso faz toda a diferença.
De facto, ele consegue construir uma lógica bem estruturada e tem razão em vários pontos. Quando se está a taxar uma empresa está-se a taxar automaticamente as pessoas que nela trabalham, assim como os consumidores finais.
A meu ver, faz tudo sentido até ao ponto em que acha que isso é argumento suficiente para acabar com o IRC. Este imposto é, tal como o IRS, um imposto progressivo. Ou seja, retira mais às empresas que ganham mais e não retira nada às que têm prejuízo. Posto isto, dá para perceber que a existência deste imposto confere um certo grau de estabilidade e justiça. É graças a este imposto (não só mas em certa medida) que é possível evitar que empresas gigantes esmaguem empresas mais pequenas com muita facilidade.
Se vai acabar por taxar o trabalhador ou o consumidor final? Sem dúvida. Mais vai taxar alguém com capacidade para o pagar e isso faz toda a diferença.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Economia paralela
É interessante verificar a percentagem da economia paralela em relação ao PIB de cada país. Há uma relação quase linear entre os países em maiores dificuldades e os que praticam mais este tipo de actividade.
Resta saber se são as dificuldades que levam as pessoas à economia paralela ou se é a economia paralela que leva às dificuldades.
Acredito que seja um pouco das duas e por isso é que é muito difícil resolver o problema.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Aproveitar o Mar
Segundo o ranking da wikipédia, Portugal é o 10º país com maior área marítima do mundo.
Já estava na altura de sermos os maiores a fazer qualquer coisa relacionada com o mar, não?
Já estava na altura de sermos os maiores a fazer qualquer coisa relacionada com o mar, não?
quarta-feira, 13 de março de 2013
Cuidado com a China
Hoje em dia é quase senso comum que a abertura do comércio mundial à China é uma das principais causas da desgraça do mundo ocidental. Aliás, quanto mais leio sobre o assunto começo a achar que a crise actual é devida em 50% à Europa e 50% a nós próprios.
A nossa "solidária" Europa resolveu abrir o seu mercado às importações chinesas em troca de exportações. Tudo muito bem, não fosse o facto de nem todas as economias estarem a produzir aquilo que a China precisava. É o caso de Portugal. Não só não conseguimos exportar para lá, como também começámos a ter que competir com as importações de lá, como é o caso dos têxteis e do calçado.
Quem ficou a ganhar com isto? As economias que produziam material que a China não tinha: maquinaria pesada, equipamento para transportes, etc. Quem são estes países? Vejam o gráfico que correlaciona o endividamento externo com a semelhança da estrutura produtiva:
Ou seja: quem está mal hoje é que tem uma estrutura produtiva que compete directamente com a China. Mais uma vez, os países europeus ditos "solidários" fizeram acordos comerciais que apenas os beneficiaram em detrimento dos restantes. Bela Europa esta que temos!
A China obviamente lucrou imenso com isto porque pôde despachar triliões de dólares em produtos pelo mundo todo. Como o gráfico abaixo de excedentes mostra (fonte), está numa posição muito privilegiada no mundo. Não tarda a ser a maior economia do mundo e não é bom ter uma ditadura comunista a mandar palpites sobre a economia mundial.
A nossa "solidária" Europa resolveu abrir o seu mercado às importações chinesas em troca de exportações. Tudo muito bem, não fosse o facto de nem todas as economias estarem a produzir aquilo que a China precisava. É o caso de Portugal. Não só não conseguimos exportar para lá, como também começámos a ter que competir com as importações de lá, como é o caso dos têxteis e do calçado.
Quem ficou a ganhar com isto? As economias que produziam material que a China não tinha: maquinaria pesada, equipamento para transportes, etc. Quem são estes países? Vejam o gráfico que correlaciona o endividamento externo com a semelhança da estrutura produtiva:
Ou seja: quem está mal hoje é que tem uma estrutura produtiva que compete directamente com a China. Mais uma vez, os países europeus ditos "solidários" fizeram acordos comerciais que apenas os beneficiaram em detrimento dos restantes. Bela Europa esta que temos!
A China obviamente lucrou imenso com isto porque pôde despachar triliões de dólares em produtos pelo mundo todo. Como o gráfico abaixo de excedentes mostra (fonte), está numa posição muito privilegiada no mundo. Não tarda a ser a maior economia do mundo e não é bom ter uma ditadura comunista a mandar palpites sobre a economia mundial.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Leitura recomendada
O autor Edward Hugh fez um belo e ao mesmo tempo devastador artigo sobre Portugal, onde escreve sobre a demografia, economia e desemprego.
http://fistfulofeuros.net/afoe/the-great-portuguese-hollowing-out/
Os números que ele expõe impedem qualquer um de vislumbrar um futuro risonho para o nosso país. Se é sensível não leia este artigo :)
http://fistfulofeuros.net/afoe/the-great-portuguese-hollowing-out/
Os números que ele expõe impedem qualquer um de vislumbrar um futuro risonho para o nosso país. Se é sensível não leia este artigo :)
domingo, 23 de dezembro de 2012
10 Outrageous Predictions for 2013
É este o título do exercício anual que o Saxo Bank costuma fazer. São previsões propositadamente exageradas, mas com algum fundamento. O Jornal de Negócios traduziu-as num artigo, que irei colocar aqui:
1. O DAX de Frankfurt vai mergulhar 33%
Em 2012, a Alemanha teve uma clara supremacia face ao resto das bolsas europeias, mesmo tendo em conta a crise no continente e a fraca actividade chinesa.
O abrandamento da economia chinesa vai colocar um travão na expansão industrial alemã. Isto causará uma estagnação dos inventários e uma diminuição dos lucros de grandes empresas como a Siemens, a BASF e a Daimler. Este stress de mercado irá degradar a confiança dos consumidores, e como resultado disso, a procura interna.
Com a fraca procura interna e a queda nas exportações, os índices de aprovação da chanceler Merkel irão cair a pique, podendo obstruir a sua reeleição no terceiro trimestre do ano. Com uma fraca economia e muita instabilidade política, o DAX vai descer para 5.000, ou seja, 33%.
2. A nacionalização da maioria das empresas de electrónica do Japão
As empresas de electrónica do Japão, outrora a glória da nação, entraram numa fase terminal após o país ter sido ultrapassado nessa área pela Coreia do Sul, com especial destaque para a Samsung. Com este declínio, as empresas direccionaram-se para o mercado interno, algo com elevados custos em sintonia com o nível de vida do Japão.
Perdas na ordem dos 30 milhões de dólares (22,6 milhões de euros) nas empresas como a Sharp, Panasonic e Sony deteriorarão a credibilidade das empresas que serão nacionalizadas, num “déjà-vu” do mercado automóvel americano. Em 8 dos últimos 16 anos o PIB (produto interno bruto) do Japão não cresceu, consequência dos resgates
3. Soja aumenta 50%
O mau tempo em 2012 causou o caos nas culturas e teme-se que este cenário se mantenha em 2013, nas épocas de plantação e de crescimento. O stock de soja é precário, fruto de 9 maus anos, o que leva a que a volatilidade do seu preço fique exposta a disrupções.
O aumento na procura de biocombustíveis, neste caso óleo de soja refinado, vai fazer com que o preço aumente em cerca de 50%
4. Ouro a 1.200 dólares (906 euros) por onça (28,35 gramas)
A força da recuperação dos Estados Unidos em 2013 vai surpreender os mercados e especialmente os investidores em ouro, que durante os últimos anos tem dominado o mercado.
As mudanças verificadas na economia americana, combinadas com a falta de recuperação na procura física do ouro na China e na Índia, onde ambos lutam contra um fraco crescimento e desemprego crescente, despoleta a liquidação do ouro. Isto é fruto da decisão da Reserva Federal americana em reduzir ou eliminar em definitivo a compra ou hipoteca de obrigações do tesouro.
Os fundos de investimento vão mudar-se para o lado vendedor, o que fará com que o ouro desça de 1.500 dólares para 1.200 dólares antes que as economias emergentes ou os bancos centrais possam tirar vantagem dessa redução.
5. Barril de petróleo atinge os 50 dólares
A produção de energia nos Estados Unidos continua a aumentar para além das expectativas, graças às avançadas técnicas de extracção de petróleo do xisto betuminoso.
A produção de barris de petróleo continuará a crescer e com um inventário para 30 anos, os preços baixarão para 50 dólares o barril. O lado da oferta, ou seja, a Rússia e os países exportadores de petróleo irá reagir muito tarde, hesitando em reduzir a produção, mantendo a oferta alta.
6. 60 ienes valem 1 dólar
O Partido Liberal Democrático volta ao poder com a punição do iene na agenda. Mas a realidade é que um parlamento pouco cooperativo e a resistência do Banco do Japão, significam que apenas algumas medidas serão introduzidas.
Entretanto, o mercado vai ficar pouco satisfeito com a ideia de enfraquecer o iene. A deflação e a repatriação de investimentos farão com que este se fortaleça e chegue aos 60 ienes por dólar.
7. Hong Kong muda o regime de câmbios fixos do dólar americano para o renminbi chinês
A China mergulha no seu compromisso político de se afastar do dólar americano, e dá esse grande passo quando Hong Kong tomar a decisão de mudar o seu regime de câmbios fixos do dólar americano para o renminbi chinês.
Outros países asiáticos irão mostrar o desejo de fazer o mesmo. A China irá começar a aumentar a convertibilidade para apanhar uma fatia maior do mercado de comércio. Rapidamente a volatilidade do renminbi aumentará enquanto a China perderá o gás, tornando Hong Kong o mais importante centro de comércio de renminbi.
8. Banco Central Suíço interrompe combate à subida do franco
Com a eleição em Itália e os problemas na Grécia, Portugal e Espanha, haverá um grande movimento de capitais para a Suíça, o que levará a que o governo suíço e o seu banco central decidam deixar o franco apreciar-se em relação ao euro.
Eventualmente, a sua apreciação irá parar, mas não antes de 0,95 francos suíços valerem 1 euro.
9. Espanha aproxima-se do incumprimento enquanto taxas de juro aumentam para 10%
O mercado ignorar o alinhamento da periferia da União Europeia, impondo à União um risco sistémico. Este é o caso particular da Espanha, onde o rendimento de 1,8 milhões de pessoas é agora inferior a 400 euros, e onde apenas 17 milhões em 47 estão empregados.
A taxa de desemprego é de 25% e nos jovens chega aos 50%. A Catalunha continua a tentar separar-se, numa altura em que a Espanha verá o total da sua dívida explodir até aos 400% do seu PIB (produto interno bruto).
10. Yield a 30 anos dos Estados Unidos dobra
As obrigações do tesouro a 30 anos mostram um retorno esperado de 0,4% (2,8% de yield menos 2,4% de inflação) para os próximos 30 anos. É esperado que a Reserva Federal mantenha as taxas baixas, mas em 2013 isto pode mudar graças à política da taxa de juro de 0%, o que obriga os investidores a mover o capital para conseguirem uma yield.
O mercado das obrigações é de 157 biliões de dólares contra uma valorização de mercado de 55 biliões. Isto significa que por cada dólar em acções há três em obrigações.
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