No estudo "The Tax Burden of Typical Workers in the EU 27" prova-se uma vez mais que Portugal não vai ganhar competitividade nem atrair investimento ao baixar salários.
Para contrariar a lenga-lenga com que os políticos nos bombardeiam todos os dias, o quadro abaixo prova que Portugal é dos melhores países da União Europeia para investir, no que respeita a salários. É certo que salários baixos oferecem uma vantagem competitiva à empresa, mas neste momento já são suficientemente baixos.
Nos dias de hoje há factores muito mais importantes:
A qualificação dos recursos humanos é essencial e por isso é que é um crime que se corte cegamente o orçamento para a educação.
A procura interna determina quase sempre se se vai investir ou não, com excepção para as empresas maioritariamente exportadoras.
A estabilidade fiscal permite a um investidor saber se o seu plano de negócios é exequível ou não.
A eficiência e rapidez da justiça oferece segurança a investidor.
O regime de IRC tem de favorecer empresas criadoras de emprego e de produção de transaccionáveis.
Há duas semanas atrás o presidente do Banco Central Europeu apresentou aos representantes dos países da moeda única os slides deste link.
Um dos gráficos que me saltou à vista foi o que está abaixo. Representa os spreads praticados pelos bancos de 4 países às PME. Reparamos que os valores da Alemanha e França são substancialmente inferiores ao da Espanha e mesmo da Itália. Aposto que em relação a Portugal seria menos de metade do custo.
Ora, como é possível falar em competitividade se as condições de financiamento são totalmente diferentes? A mesma empresa em países diferentes é obrigada a praticar salários mais baixos ou preços mais altos nos países com maior dificuldade de acesso ao crédito. Com o agudizar da crise, este fosso só vai continuar a aumentar.
Já cheguei a um ponto em que para mim só há duas alternativas claras: uma convergência total das economias europeias ou uma separação definitiva da moeda única. A convergência implica financiamento igual para todas as empresas, regime fiscal semelhante e salários proporcionais. Desta maneira todos os países ganhariam um pouco, ao contrário do que acontece agora, em que uns ganham muito à custa dos outros.
O INE publicou o relatório "Contas Nacionais Trimestrais Por Sector Institucional" relativo ao 3º trimestre de 2012, onde aparece um dado interessante sobre o mercado laboral: estamos a ficar mais baratos. Um dos principais objectivos deste Governo é o de tornar Portugal apetecível para o investimento estrangeiro, não pela qualidade mas pelo preço.
Com o gráfico abaixo, não há mais desculpas para o Governo dizer que não estamos mais competitivos. Se mesmo assim não houver uma recuperação económica, a culpa já não poderá ser atribuída aos trabalhadores caríssimos (!) de Portugal, mas sim exclusivamente aos "trabalhadores" do Governo.
"A diminuição dos CTUP acentuou-se, passando de uma taxa de variação de -2.2% no 2º trimestre de 2012, para -2,4% no 3º trimestre de 2012. O contributo da variação da remuneração média (-1,1%) para aquela diminuição foi reforçado pelo aumento de 1,3% da produtividade aparente da economia no 3º trimestre de 2012."
O presidente do Uruguai fez um discurso durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) absolutamente inspirador sobre a humanidade nos dias de hoje. Vale a pena ver aquilo que considero um discurso "à homem":
Lembro que não é o presidente de um país pobre, mas sim do país que é conhecido como a Suiça da América do Sul. Este homem faz-nos pensar: "mas que raio de modelo económico construímos para nós próprios?"
Há cerca de uma hora atrás aconteceu-me um evento que eu pensava ser impossível: fui roubado através da visualização de um canal de televisão!
Com efeito, o discurso de Passos Coelho superou todas as minhas expectativas, o que comprova que a raça dos políticos tem evoluído ao longo dos tempos. Começou com um discurso maçudo e carregado de bullshit, a elogiar a paciência do povo português (que é nenhuma) e como nos tínhamos de esforçar para resolver os "nossos" problemas (não me lembro de ter criado algum).
Várias conclusões espectaculares se podem retirar das palavras de Passos Coelho e que deverão sobretudo ser ensinadas às crianças portuguesas, no sentido de não chegarem àquele estado mental. Pois não é que ele se conseguiu contradizer pelo menos 3 vezes.
Elogiou a decisão do BCE sobre a compra de dívida dos países em dificuldades, quando no final de Junho deste ano afirmou em pleno parlamento que não apoiava esta medida. Quis seguir a opinião da Sra Merkel, não vá ela atiçar um rottweiler de seguida.
Afirmou que a equidade significa nivelar por cima e não por baixo, para logo a seguir anunciar que também o sector privado leva um soco no bucho. Então o que é isto senão nivelar por baixo?
"Rejeitámos um aumento de impostos". Tecnicamente a subida da Segurança Social até pode nem ser um imposto, mas que esta frase cai muito mal lá isso cai.
Mais uma vez Passos Coelho conseguiu atingir exactamente os que costumam arcar com as despesas. Quando se trata de aplicar medidas aos trabalhadores surge com números exactos, precisos e irreversivelmente decididos. Quando fala sobre os grandes grupos económicos não soube precisar número nenhum, caso contrário os portugueses ainda lho podiam cobrar.
"Redução das rendas excessivas". Mas quanto, meu palerma?
"Redução do número de fundações". Desta vez até disse a palavra "número, só faltando mesmo dizer qual era.
Não só não soube quantificar quantos é que vai cortar das PPPs, das Fundações e da electricidade como ainda lhes garantiu menos despesa com os trabalhadores com a descida da TSU. Não falou em qualquer taxação das grandes fortunas, nem qualquer agravamento dos impostos sobre o capital. Em Portugal só dá para ser uma de duas coisas:
Pobre - recebendo subsídios durante a vida toda, mas pouco dignificante.
Rico - recebendo rendas ou diminuindo os custos do trabalho.
Passos Coelho chega a dizer que cabe às empresas reflectir estas medidas na vida das pessoas. Mas alguém acredita que uma empresa vai agora contratar às paletes? As empresas não estão a contratar por falta de dinheiro, mas sim por falta de clientes. Ou que, por gastar menos dinheiro, vai praticar preços mais competitivos nos seus produtos? Claramente não conhece a grande maioria das empresas portuguesas.
Consegue também dizer que a redução dos custos do trabalho é para o nosso bem. Para que as nossas empresas sejam mais competitivas em relação ao estrangeiro. Se a competitividade se ganhasse apenas com a redução dos salários nós já seríamos um dos países mais produtivos da Europa. Este idealismo não leva o país no bom caminho e só temos a perder com estes políticos.
Tudo isto é revoltante, mas ainda nem foi apresentado o orçamento de estado para 2013. Dia 15 de Outubro vamos ficar a conhecer mais uma quantidade engraçada de medidas, entre as quais se deverá destacar a redução do número de escalões do IRS, na qual o Estado não vai ficar a perder - aliás, nunca fica.
O que me assusta é que o Estado está a ficar um gatuno mais esperto. Até agora era aumentar o IVA à parva para arrecadar mais receita. No entanto, não pensaram que sendo um imposto sobre o consumo, as pessoas podiam começar a consumir menos ou até não declarar as suas despesas. Desta vez foram cortar onde não é mesmo possível fugir e que são os salários.
Parece-me que este governo vai ficar para a história como o que mais medidas impopulares tomou. Quer-me parecer que daqui por ano estaremos a ter a mesma conversa sobre as novas medidas de austeridade. Este ciclo vicioso muito dificilmente acabará e estes tubarões só estão a aproveitar a onda para escravizar ainda mais o povo. Curiosamente nada se falou sobre o programa da Troika ter sido um falhanço, portanto eles acham que a ideologia deles continua a funcionar.
A única coisa com que me posso contentar é que em 2015 vai ser um ano bom para toda a gente. Não sei porquê, mas em ano de eleições as contas públicas têm sempre uma margem para aumentos salariais e diminuição de impostos. Espero que nessa altura toda a gente se lembre desta raça de políticos (e das outras também) e vá votar em branco. Prefiro colocar pessoas novas no poleiro, do que estes meninos que desde cedo vão para as Juventudes Partidárias para lá poder chegar.
Recentemente saiu o The Global Competitiveness Report 2012 que apresenta um conjunto de indicadores sobre 144 países. Daqui muitas conclusões se podem tirar, mas a que mais se destacou nas notícias foram as infraestruturas rodoviárias.
Se há coisa que Portugal se pode orgulhar é de ter estradas de alto nível. Aliás, o nível é tão alto que só somos ultrapassados pela França, Emirados Árabes Unidos e Singapura. Qual Suiça, qual Austria, qual Alemanha?
Isto é o resultado do trabalho de sucessivos governos que quiseram:
aumentar temporariamente o emprego em Portugal (daí o Sócrates prometer os 150.000 postos de trabalho)
fazer negociatas em que o Estado fica largamente a perder, mas que "dão retorno" aos políticos envolvidos
ganhar eleições, argumentando que deixaram muita obra feita
Eu cá sinto-me envergonhado por o meu país ficar conhecido internacionalmente como o que de melhor temos são estradas. É que nem sequer temos dinheiro para o carro, gasolina e portagens para as podermos aproveitar. Vão simplesmente ficar ali por usar e a continuar a dar rentabilidades à banca e às construtoras.
Algumas conclusões interessantes sobre Portugal a retirar do relatório, num total de 144 países:
Desperdício de dinheiros públicos: 11º a nível mundial (!!) mas a contar do fim. Na realidade estamos na posição 133.
Estávamos muito mal em termos de relações laborais (top 20 a contar do fim). No entanto não percebo porque não puseram um indicador para o salário médio pago.
Qualidade do ensino da matemática e ciência: 94º. Seria uma boa aposta para produzir mais mão de obra altamente qualificada.
Largura de banda (kb/s por utilizador): 11º & Pessoas a usar a Internet: 48º. Penso que é dos factores mais positivos em Portugal e que contribui bastante para a nossa evolução como sociedade.
Funcionamento dos tribunais: 121º. Um dos principais obstáculos ao investimento privado.
Nos vários indicadores de saúde estamos quase sempre posicionados dentro do top 30.
Algumas conclusões interessantes sobre alguns indicadores:
Os USA têm o maior PIB do mundo, que é o dobro do 2º (China), o triplo do 3º (Japão) e o quíntuplo do 4º (Alemanha)
O maior PIB per capita (ver figura) é do Luxemburgo com uns impressionantes 113.533 dólares por pessoa.
A Suiça aparece em quase todos os top 10.
O total da dívida pública do Japão em percentagem do PIB é de 229,8. No entanto eles conseguem passar mais despercebidos do que nós.
A maior flexibilidade do salário dos trabalhadores é no Uganda. Dá para imaginar porquê :P
A Islândia tem 95% da população a usar a Internet, enquanto nós só temos 55%. Isto significa que até os avozinhos de lá usam Internet. E eu que pensava que era impossível ensinar os mais velhos...