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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Banco de Portugal - Estimativas a Dezembro de 2012

O Banco de Portugal publicou o Boletim Económico do Inverno de 2012, onde apresentou as últimas previsões para a economia portuguesa em 2013 e 2014.


Alguns factos que são possíveis constatar:

  • As previsões agravaram-se significativamente desde o Boletim Económico de 2012. Isto é, em apenas 3 meses concluiu-se que a economia se vai comportar de uma maneira bastante diferente da esperada. Creio que esta mudança repentina estará relacionada com as medidas que entretanto foram aprovadas no Orçamento de Estado.
  • Distanciaram-se ainda mais das previsões do Governo onde, por exemplo, o crescimento económico de 2013 será de -1.0% do PIB. Estamos a falar de valores próximos do dobro!
  • O Banco de Portugal assinala que as previsões para 2014 têm como pressuposto que não haverão novas medidas de austeridade no próximo Orçamento de Estado. Ou seja, esta entidade é claramente da opinião de que, havendo mais austeridade, a economia afunda.
Que mais sinais são precisos para que o Governo entenda que isto não vai dar a lado nenhum?

domingo, 23 de dezembro de 2012

10 Outrageous Predictions for 2013

É este o título do exercício anual que o Saxo Bank costuma fazer. São previsões propositadamente exageradas, mas com algum fundamento. O Jornal de Negócios traduziu-as num artigo, que irei colocar aqui:


1. O DAX de Frankfurt vai mergulhar 33%

Em 2012, a Alemanha teve uma clara supremacia face ao resto das bolsas europeias, mesmo tendo em conta a crise no continente e a fraca actividade chinesa.

O abrandamento da economia chinesa vai colocar um travão na expansão industrial alemã. Isto causará uma estagnação dos inventários e uma diminuição dos lucros de grandes empresas como a Siemens, a BASF e a Daimler. Este stress de mercado irá degradar a confiança dos consumidores, e como resultado disso, a procura interna.

Com a fraca procura interna e a queda nas exportações, os índices de aprovação da chanceler Merkel irão cair a pique, podendo obstruir a sua reeleição no terceiro trimestre do ano. Com uma fraca economia e muita instabilidade política, o DAX vai descer para 5.000, ou seja, 33%.

2. A nacionalização da maioria das empresas de electrónica do Japão

As empresas de electrónica do Japão, outrora a glória da nação, entraram numa fase terminal após o país ter sido ultrapassado nessa área pela Coreia do Sul, com especial destaque para a Samsung. Com este declínio, as empresas direccionaram-se para o mercado interno, algo com elevados custos em sintonia com o nível de vida do Japão.

Perdas na ordem dos 30 milhões de dólares (22,6 milhões de euros) nas empresas como a Sharp, Panasonic e Sony deteriorarão a credibilidade das empresas que serão nacionalizadas, num “déjà-vu” do mercado automóvel americano. Em 8 dos últimos 16 anos o PIB (produto interno bruto) do Japão não cresceu, consequência dos resgates

3. Soja aumenta 50%

O mau tempo em 2012 causou o caos nas culturas e teme-se que este cenário se mantenha em 2013, nas épocas de plantação e de crescimento.  O stock de soja é precário, fruto de 9 maus anos, o que leva a que a volatilidade do seu preço fique exposta a disrupções.

O aumento na procura de biocombustíveis, neste caso óleo de soja refinado, vai fazer com que o preço aumente em cerca de 50%

4.  Ouro a 1.200 dólares (906 euros) por onça (28,35 gramas)

A força da recuperação dos Estados Unidos em 2013 vai surpreender os mercados e especialmente os investidores em ouro, que durante os últimos anos tem dominado o mercado.

As mudanças verificadas na economia americana, combinadas com a falta de recuperação na procura física do ouro na China e na Índia, onde ambos lutam contra um fraco crescimento e desemprego crescente, despoleta a liquidação do ouro. Isto é fruto da decisão da Reserva Federal americana em reduzir ou eliminar em definitivo a compra ou hipoteca de obrigações do tesouro.

Os fundos de investimento vão mudar-se para o lado vendedor, o que fará com que o ouro desça de 1.500 dólares para 1.200 dólares antes que as economias emergentes ou os bancos centrais possam tirar vantagem dessa redução.

5. Barril de petróleo atinge os 50 dólares

A produção de energia nos Estados Unidos continua a aumentar para além das expectativas, graças às avançadas técnicas de extracção de petróleo do xisto betuminoso.

A produção de barris de petróleo continuará a crescer e com um inventário para 30 anos, os preços baixarão para 50 dólares o barril. O lado da oferta, ou seja, a Rússia e os países exportadores de petróleo irá reagir muito tarde, hesitando em reduzir a produção, mantendo a oferta alta.

6. 60 ienes valem 1 dólar

O Partido Liberal Democrático volta ao poder com a punição do iene na agenda. Mas a realidade é que um parlamento pouco cooperativo e a resistência do Banco do Japão, significam que apenas algumas medidas serão introduzidas.

Entretanto, o mercado vai ficar pouco satisfeito com a ideia de enfraquecer o iene. A deflação e a repatriação de investimentos farão com que este se fortaleça e chegue aos 60 ienes por dólar.

7.  Hong Kong muda o regime de câmbios fixos do dólar americano para o renminbi chinês

A China mergulha no seu compromisso político de se afastar do dólar americano, e dá esse grande passo quando Hong Kong tomar a decisão de mudar o seu regime de câmbios fixos do dólar americano para o renminbi chinês.

Outros países asiáticos irão mostrar o desejo de fazer o mesmo. A China irá começar a aumentar a convertibilidade para apanhar uma fatia maior do mercado de comércio. Rapidamente a volatilidade do renminbi aumentará enquanto a China perderá o gás, tornando Hong Kong o mais importante centro de comércio de renminbi.

8. Banco Central Suíço interrompe combate à subida do franco

Com a eleição em Itália e os problemas na Grécia, Portugal e Espanha, haverá um grande movimento de capitais para a Suíça, o que levará a que o governo suíço e o seu banco central decidam deixar o franco apreciar-se em relação ao euro.

Eventualmente, a sua apreciação irá parar, mas não antes de 0,95 francos suíços valerem 1 euro.

9. Espanha aproxima-se do incumprimento enquanto taxas de juro aumentam para 10%

O mercado ignorar o alinhamento da periferia da União Europeia, impondo à União um risco sistémico. Este é o caso particular da Espanha, onde o rendimento de 1,8 milhões de pessoas é agora inferior a 400 euros, e onde apenas 17 milhões em 47 estão empregados.

A taxa de desemprego é de 25% e nos jovens chega aos 50%. A Catalunha continua a tentar separar-se, numa altura em que a Espanha verá o total da sua dívida explodir até aos 400% do seu PIB (produto interno bruto).

10.  Yield a 30 anos dos Estados Unidos dobra

As obrigações do tesouro a 30 anos mostram um retorno esperado de 0,4% (2,8% de yield menos 2,4% de inflação) para os próximos 30 anos. É esperado que a Reserva Federal mantenha as taxas baixas, mas em 2013 isto pode mudar graças à política da taxa de juro de 0%, o que obriga os investidores a mover o capital para conseguirem uma yield.

O mercado das obrigações é de 157 biliões de dólares contra uma valorização de mercado de 55 biliões. Isto significa que por cada dólar em acções há três em obrigações.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Previsões do Banco de Portugal

O Banco de Portugal lançou o seu boletim de outono que permite tirar algumas conclusões sobre a economia de 2012 e também de 2013.


  • O défice orçamental do primeiro semestre de 2012 foi de 6,8% (muito acima dos 4,5% inicialmente negociados com a troika)
  • A despesa orçamentada vai aumentar 1,2% em 2013 e a receita 1,7%
  • O desemprego está a aumentar bastante em certos sectores (por ordem do pior para o menos mau):
    • construção (já só estão no activo pouco mais de 60% dos trabalhadores em relação ao ano de 2000)
    • indústria
    • agricultura
  • O sector dos serviços é o que está a ser menos afectado pelo desemprego
  • O consumo privado está a diminuir sobretudo nos bens duradouros e não-alimentares
  • Os custos unitários de trabalho relativos estão a descer para níveis de 1999
  • A balança de pagamentos está praticamente equilibrada, com mais exportações e menos importações do que em anos passados. É uma boa notícia em termos financeiros, o que não implica que o seja economicamente.
  • Em 2013 teremos uma recessão de 1,6% (60 pontos base acima da estimativa do governo)
  • Espera-se que o preço do petróleo baixe ligeiramente (5%)

Em resumo, o Banco de Portugal espera um ano menos mau para a economia portuguesa do que 2012, muito embora à custa de aumentos severos de impostos. Esperemos que as previsões estejam certas, mas eu cá acho que vai correr pior do que se pensa.

De qualquer das maneiras, felicito o Banco de Portugal por mais um excelente relatório!