Este foi um dos bancos resgatados na Irlanda. A notícia que comento hoje aqui dá-me vómitos e representa bem a banca tal como ela é hoje. O jornal Independent revelou algumas gravações de telefonemas entre banqueiros do Anglo Irish Bank, onde se brinca e goza com o dinheiro dos contribuintes para salvar o seu banco.
Falam que vão pedir ao governo um número mais ou menos aleatório de euros - 7 mil milhões - sabendo que vão precisar de muito mais. Mais à frente pediriam discretamente o resto, para que os contribuintes irlandeses não se apercebessem do montante total da factura. Recordo que a ajuda até à data a este banco já vai em 30 mil milhões de euros.
Falam que os contribuintes nunca vão voltar a ver o seu dinheiro de volta (o do bail-out) e se querem ver os seus depósitos protegidos, devem continuar a sustentar o banco.
As gravações têm provocado onde de contestação e de nojo absoluto por estes banqueiros, mas receio que por lá a justiça funcione da mesma maneira que a portuguesa. É incrível ouvir estas gravações e aceitar todas as baboseiras que os políticos lhes andaram a dizer (vivemos acima das possibilidades, etc).
Estamos entregues ao bichos e estes são bichos bastantes maus...
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
domingo, 17 de março de 2013
Europa muito perigosa
Na reunião do ECOFIN da sexta-feira passada decidiu-se resgatar financeiramente o Chipre. O problema é o habitual: a banca endividou-se muito, blá blá blá, é preciso salvar a banca se não morremos todos, blá blá blá, o contribuinte é que vai pagar tudo.
Nada de novo no mundo em que vivemos. O mais grave é que desta vez, além da subida de impostos e corte de despesas, a UE concordou com uma medida muito perigosa:
- Aplicar uma taxa de 6,75% sobre todos os depósitos até 100 mil euros.
- Aplicar uma taxa de 9,9% sobre todos os depósitos acima de 100 mil euros.
Isto abre um precedente gigantesco na segurança e na propriedade privada dos depositantes europeus. Por decreto europeu é agora possível tirarem-me uma percentagem da minha riqueza, porque a banca se enterrou. Dizem eles que vão dar em troca acções dos respectivos bancos, como se isso compensasse a gravidade da operação.
Trata-se de expropriação de dinheiro dos depositantes, que presumo que apenas aconteça em regimes "democráticos" como o da Coreia do Norte. Se Portugal se continuar a enterrar como tem feito tão bem nos últimos anos corremos o risco de nos virem sacar dinheiro às nossas contas, sem sequer nos perguntarem.
Nada de novo no mundo em que vivemos. O mais grave é que desta vez, além da subida de impostos e corte de despesas, a UE concordou com uma medida muito perigosa:
- Aplicar uma taxa de 6,75% sobre todos os depósitos até 100 mil euros.
- Aplicar uma taxa de 9,9% sobre todos os depósitos acima de 100 mil euros.
Isto abre um precedente gigantesco na segurança e na propriedade privada dos depositantes europeus. Por decreto europeu é agora possível tirarem-me uma percentagem da minha riqueza, porque a banca se enterrou. Dizem eles que vão dar em troca acções dos respectivos bancos, como se isso compensasse a gravidade da operação.
Trata-se de expropriação de dinheiro dos depositantes, que presumo que apenas aconteça em regimes "democráticos" como o da Coreia do Norte. Se Portugal se continuar a enterrar como tem feito tão bem nos últimos anos corremos o risco de nos virem sacar dinheiro às nossas contas, sem sequer nos perguntarem.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A elite portuguesa aguenta!
E pronto! Mais um episódio de um representante da nossa elite. Eu ia escrever "elite intelectual", mas depois de afirmar a seguinte frase - "Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?" - penso que é adequado.
Infelizmente é gente desta que tem dirigido o nosso país e isso explica muitos dos problemas que enfrentamos hoje. Este senhor fala dos sem-abrigo, mas ele é bem mais pobre do que eles. E não estou a falar só de pobreza de espírito. Ele é literalmente mais pobre dado que o seu banco tem uma dívida de 1000 milhões de euros ao Estado.
Infelizmente é gente desta que tem dirigido o nosso país e isso explica muitos dos problemas que enfrentamos hoje. Este senhor fala dos sem-abrigo, mas ele é bem mais pobre do que eles. E não estou a falar só de pobreza de espírito. Ele é literalmente mais pobre dado que o seu banco tem uma dívida de 1000 milhões de euros ao Estado.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Os amigos do BPN
Bem sei que a imprensa tem um poder enorme de fabricar a opinião dos portugueses, mas acho que no caso do BPN não há mesmo muitas dúvidas sobre os actos criminosos que lá ocorreram. A SIC fez uma reportagem que sumariza os principais esquemas em que o BPN estava envolvido que, na minha opinião, é muita elucidativa. Vejam por vocês próprios:
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Crédito bancário: evolução dos últimos anos
No último Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal aparecem alguns gráficos interessantes sobre a evolução do crédito concedido pelos bancos.
No gráfico abaixo aparece a evolução das taxas de juro aplicadas desde Janeiro de 1999 até aos dias de hoje. É possível verificar que até ao crash financeiro de 2008, o crédito era cada vez mais barato, levando muita gente a endividar-se. A partir dessa data tem-se verificado uma tendência de subida que não parece parar por aqui.
O último gráfico comprova que o crédito concedido pela banca tem vindo a descer acentuadamente. Creio que a quebra se deve tanto às dificuldades dos bancos, como do receio dos particulares.
O gráfico abaixo mostra o endividamento dos particulares à banca e à primeira vista dá a entender que as pessoas contraíram mais crédito. Na realidade, o endividamento é medido em relação ao rendimento disponível, sendo que este é que diminuiu drasticamente nestes dois últimos anos.
O último gráfico comprova que o crédito concedido pela banca tem vindo a descer acentuadamente. Creio que a quebra se deve tanto às dificuldades dos bancos, como do receio dos particulares.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Comissões de 0%
Muitas vezes vemos publicidade dos bancos a anunciarem um determinado serviço sem cobrar qualquer comissão. Infelizmente nem sempre é assim tão transparente, pois as comissões vêm disfarçadas no meio da "factura".
A propósito de comissões houve um inglês que resolveu entalar o seu banco, confrontando-o com as comissões cobradas no câmbio entre moedas. Vale a pena ler o texto a seguir, mesmo estando em inglês:
A propósito de comissões houve um inglês que resolveu entalar o seu banco, confrontando-o com as comissões cobradas no câmbio entre moedas. Vale a pena ler o texto a seguir, mesmo estando em inglês:
Me: So if I send £1000 to France, what would I get in Euros?
Floyds: The rate would be 1.234 so you would get €1,234.
Me: And how much of that is your profit?
Floyds: None. We don’t take a fee at all.
Me: But the Mid-Market rate is around 1.29 today. So I should get €1,290
Floyds: We set our rates at the start of the day, and we don’t take a profit.
Me: You “set” your rate? What does that mean? Do you just make it up?
Floyds: No, but we only set them once a day, based on the mid-market rate at the time.
Me: Right. But you are making a profit margin on a rate of 1.234. At no point today has the interbank been 1.234.
Floyds: I don’t have access to that data. I’m just given the daily rate.
Me: Right. Ok. So what if I were to send £100,000 instead.
Floyds: You would get a rate of 1.256, so €125,600. Again, there’s no fee.
Me: But that’s a different rate to the one you gave me to £1,000…. I thought you said there was one rate for the day, based on the real interbank rate.
Floyds: There’s one rate for each size band. And larger sizes have a better rate.
Me: So let’s just get this straight. You aren’t making any profit on the rate of 1.234, correct?
Floyds. Correct.
Me: But you are able to give me a better rate of 1.256 if I transfer more.
Floyds: Correct.
Me: But how can 2 different rates be making you no profit and be based on the interbank rate, there’s only one interbank rate at any point in time.
Floyds: I’m not sure I understand. Could you repeat the question?
Me: I’m not at all surprised. Thanks for your time.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Pingo Doce - uma marca que faz Portugal falar
Não podia deixar de comentar sobre o caso mais recente do Pingo Doce - o uso do multibanco passa a ser apenas para compras acima de 20€ (ver artigo do DinheiroVivo). Para o bem ou para o mal, esta empresa é capaz de colocar o país a falar sobre um determinado assunto. Não há muitas assim em Portugal.
Só para recordar duas polémicas recentes:
- A mudança de sede para a Holanda (artigo do Correio da Manhã) - teve o mérito de provocar uma discussão tal que se ficou a saber que 18 das então 20 empresas cotadas na bolsa portuguesa também já tinham mudado as suas sedes para o estrangeiro.
(acho sempre piada a esta foto :P)
- 50% de desconto no 1º de Maio - esta foi a melhor de todas, porque despoletou um debate intenso sobre o direito dos trabalhadores (por ser 1 de Maio) e sobre o desespero de muitos portugueses (por terem andado ao murro por produtos com desconto - um ambiente muito bem descrito pelo Ricardo Araújo Pereira)
Voltando ao assunto principal, o Pingo Doce fez lembrar mais um bom assunto, que tem a haver com duas coisas que funcionam muito bem em Portugal: concorrência e a banca (pelo menos no entender dos próprios funciona bem). A primeira porque nos informou que a Unicre é dona e senhora de todo o ecossistema de terminais de pagamento automático: 1-0 para a Autoridade da Concorrência; a segunda porque a banca prefere perder vários milhões de euros e entalar os consumidores, do que perder só alguns milhões e deixar o consumidor em paz.
Não quero agoirar, mas parece-me que é uma jogada negocial do Pingo Doce, para que haja uma baixa generalizada das comissões para a banca. Entretanto, toca a guardar os cartões em casa...
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