sábado, 11 de maio de 2013

Preços da electricidade na Europa

O Economist publicou um artigo que contém o gráfico abaixo e que diz respeito aos preços praticados em vários países da Europa. Portugal, como país próspero que é, tem preços acima da média europeia. Não sei que mais argumentos são precisos para constatarmos que estamos a ser extorquidos.

A energia está presente em praticamente todos os sectores, sendo ela electricidade, gás ou gasóleo. O preço da energia é portanto determinante para a competitividade da economia e no nosso caso é bastante desfavorável. Empresas com necessidades elevadas de electricidade não virão com certeza investir em Portugal. Por mais barata que a mão-de-obra seja, o custo da energia é demasiado elevado para se conseguir compensar.

O nosso governo tem andado preocupado em baixar salários, em vez de reduzir drasticamente todos estes custos de contexto que impedem, estes sim, de Portugal se tornar um país competitivo.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Os novos cortes na despesa

O DinheiroVivo fez um excelente infográfico onde descreve em que é que o Estado vai cortar a seguir.

sábado, 4 de maio de 2013

Medidas de austeridade: parte 543

Cada vez que leio que Passos Coelho vai falar ao país em horário nobre, fico arrepiado. Desta vez apresentou um conjunto de medidas que incidem sobretudo sobre os pensionistas e funcionários públicos.

Devo dizer que fiquei positivamente surpreendido com algumas das medidas anunciadas.


  • O horário de 35 horas semanais era um desigualdade que existia há demasiado tempo, sem qualquer justificação. Concordo em absoluto.
  • A mobilidade especial sem limite de tempo era outra parvoíce de todo o tamanho. Pagar uma fracção do ordenado a uma pessoa e não beneficiar dos seus serviços é o equivalente a uma pensão vitalícia. Concordo com o tecto máximo de 18 meses.
  • Os regimes de bonificação do tempo de serviço para o acesso à reforma é uma desigualdade gigantesca que existia até agora. Só tenho pena que não tivessem terminado com os privilégios dos juízes do Tribunal Constitucional, que se podem reformar após 12 anos de serviço.
Quanto à taxação das reformas e aumento (virtual) da idade da reforma para os 66 não acho que tivessem sido uma boa medida. Acho que deviam atacar áreas da despesa onde há de facto ineficiência ou desigualdade, tal como as medidas com que concordo acima.
O governo insiste em dizer que "quase 70% da despesa é com o estado social". Eu percebo que seja inevitável cortar alguma coisa aqui, mas gostava que pelo menos referisse o que vai cortar na outra fatia do bolo (os tais 30%). É que nem uma palavra. Todos os dias ouvimos falar de BPNs, PPPs, SWAPs, etc e somos obrigados a assistir a que ninguém faça nada. É revoltante...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Europa a várias velocidades

Há duas semanas atrás o presidente do Banco Central Europeu apresentou aos representantes dos países da moeda única os slides deste link.
Um dos gráficos que me saltou à vista foi o que está abaixo. Representa os spreads praticados pelos bancos de 4 países às PME. Reparamos que os valores da Alemanha e França são substancialmente inferiores ao da Espanha e mesmo da Itália. Aposto que em relação a Portugal seria menos de metade do custo.

Ora, como é possível falar em competitividade se as condições de financiamento são totalmente diferentes? A mesma empresa em países diferentes é obrigada a praticar salários mais baixos ou preços mais altos nos países com maior dificuldade de acesso ao crédito. Com o agudizar da crise, este fosso só vai continuar a aumentar.
Já cheguei a um ponto em que para mim só há duas alternativas claras: uma convergência total das economias europeias ou uma separação definitiva da moeda única. A convergência implica financiamento igual para todas as empresas, regime fiscal semelhante e salários proporcionais. Desta maneira todos os países ganhariam um pouco, ao contrário do que acontece agora, em que uns ganham muito à custa dos outros.

No half measures!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Almoços grátis

Milton Friedman foi um economista de renome dos Estados Unidos durante o século XX. Era um defensor do liberalismo económico e no vídeo abaixo podemos ouvir a argumentação que ele tem para que não se taxem as empresas (vulgo IRC).


De facto, ele consegue construir uma lógica bem estruturada e tem razão em vários pontos. Quando se está a taxar uma empresa está-se a taxar automaticamente as pessoas que nela trabalham, assim como os consumidores finais.
A meu ver, faz tudo sentido até ao ponto em que acha que isso é argumento suficiente para acabar com o IRC. Este imposto é, tal como o IRS, um imposto progressivo. Ou seja, retira mais às empresas que ganham mais e não retira nada às que têm prejuízo. Posto isto, dá para perceber que a existência deste imposto confere um certo grau de estabilidade e justiça. É graças a este imposto (não só mas em certa medida) que é possível evitar que empresas gigantes esmaguem empresas mais pequenas com muita facilidade.

Se vai acabar por taxar o trabalhador ou o consumidor final? Sem dúvida. Mais vai taxar alguém com capacidade para o pagar e isso faz toda a diferença.

Público VS Privado

O Dinheiro Vivo publicou há dias um artigo sobre as diferenças entre trabalhar no sector público e no privado. Numa altura de crise é natural que se queiram nivelar por baixo as duas classes de trabalhadores, mas a verdade é que existem alguns benefícios, a meu ver, escandalosos.

Salários
Parece haver alguma vantagem para o sector público, mas acho que de uma maneira geral não é aqui que as diferenças são grandes. Parece-me haver demasiada demagogia sobre os salários em si.

Férias
Esta é uma desigualdade relevante, a meu ver. Por que carga de água um funcionário público tem direito a mais dias de férias do que um funcionário do privado?

Segurança
Esta é a principal desigualdade que existe entre as duas classes. Despedir um funcionário público do quadro é inconstitucional. Ora isto origina um emprego para a vida e consequentemente um salário garantido para o resto da vida. Isto permite assumir compromissos (casa, carro, férias, etc) que um funcionário do privado só poderá concretizar mais tarde. Outra consequência muito importante é a facilidade e o preço dos créditos. Um banco exige um spread bastante inferior a uma pessoa que sabe que vai pagar. Não há risco. Um funcionário do privado dificilmente terá condições igualmente vantajosas.

Protecção da saúde
A ADSE provoca assimetrias brutais no acesso à saúde. Um funcionário público pode deslocar-se a empresas privadas e pagar praticamente o mesmo que pagaria no SNS. É perfeitamente normal que este sistema esteja descontinuado, embora ainda existam milhares de beneficiários.

Reforma
Outra grande injustiça a vários níveis: reformavam-se mais cedo, têm direito à reforma antecipada e a fórmula de cálculo é altamente vantajosa (último salário em vez da média dos últimos 20 anos). Depois admiram-se que a Segurança Social não é sustentável.


Outro ponto importante, mas que não foi referido no artigo, é a existência de tabelas de evolução salarial no sector público. Uma pessoa sabe à partida que, quando passarem X anos e fizer uma prova qualquer, o seu salário aumenta automaticamente. Já no privado, o salário está sempre associado à oferta e procura e pode nunca ser aumentado durante a vida inteira. Além disso, a evolução estática por via de uma tabela não promove o mérito.

E por que é que os funcionários públicos têm estas regalias todas?

  1. Estou convencido que é uma das melhores maneiras de ganhar votos/eleições.
  2. Há profissões do Estado que não têm concorrência e como tal os trabalhadores estão à vontade para fazer greve e bloquear o país
  3. O Estado cumpre escrupulosamente a lei (ou quase sempre...) e muito dificilmente vai à falência e portanto quase todas as profissões públicas estão sindicalizadas. Se uma empresa privada sofrer as mesmas pressões dos trabalhadores das duas uma: vai para a insolvência ou arranja maneira de despedir os reivindicadores.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Economia paralela


É interessante verificar a percentagem da economia paralela em relação ao PIB de cada país. Há uma relação quase linear entre os países em maiores dificuldades e os que praticam mais este tipo de actividade.

Resta saber se são as dificuldades que levam as pessoas à economia paralela ou se é a economia paralela que leva às dificuldades.

Acredito que seja um pouco das duas e por isso é que é muito difícil resolver o problema.