domingo, 30 de dezembro de 2012

Embaratecer Portugal

O INE publicou o relatório "Contas Nacionais Trimestrais Por Sector Institucional" relativo ao 3º trimestre de 2012, onde aparece um dado interessante sobre o mercado laboral: estamos a ficar mais baratos. Um dos principais objectivos deste Governo é o de tornar Portugal apetecível para o investimento estrangeiro, não pela qualidade mas pelo preço.

Com o gráfico abaixo, não há mais desculpas para o Governo dizer que não estamos mais competitivos. Se mesmo assim não houver uma recuperação económica, a culpa já não poderá ser atribuída aos trabalhadores caríssimos (!) de Portugal, mas sim exclusivamente aos "trabalhadores" do Governo.


"A diminuição dos CTUP acentuou-se, passando de uma taxa de variação de -2.2% no 2º trimestre de 2012, para -2,4% no 3º trimestre de 2012. O contributo da variação da remuneração média (-1,1%) para aquela diminuição foi reforçado pelo aumento de 1,3% da produtividade aparente da economia no 3º trimestre de 2012."


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os amigos do BPN

Bem sei que a imprensa tem um poder enorme de fabricar a opinião dos portugueses, mas acho que no caso do BPN não há mesmo muitas dúvidas sobre os actos criminosos que lá ocorreram. A SIC fez uma reportagem que sumariza os principais esquemas em que o BPN estava envolvido que, na minha opinião, é muita elucidativa. Vejam por vocês próprios:



domingo, 23 de dezembro de 2012

10 Outrageous Predictions for 2013

É este o título do exercício anual que o Saxo Bank costuma fazer. São previsões propositadamente exageradas, mas com algum fundamento. O Jornal de Negócios traduziu-as num artigo, que irei colocar aqui:


1. O DAX de Frankfurt vai mergulhar 33%

Em 2012, a Alemanha teve uma clara supremacia face ao resto das bolsas europeias, mesmo tendo em conta a crise no continente e a fraca actividade chinesa.

O abrandamento da economia chinesa vai colocar um travão na expansão industrial alemã. Isto causará uma estagnação dos inventários e uma diminuição dos lucros de grandes empresas como a Siemens, a BASF e a Daimler. Este stress de mercado irá degradar a confiança dos consumidores, e como resultado disso, a procura interna.

Com a fraca procura interna e a queda nas exportações, os índices de aprovação da chanceler Merkel irão cair a pique, podendo obstruir a sua reeleição no terceiro trimestre do ano. Com uma fraca economia e muita instabilidade política, o DAX vai descer para 5.000, ou seja, 33%.

2. A nacionalização da maioria das empresas de electrónica do Japão

As empresas de electrónica do Japão, outrora a glória da nação, entraram numa fase terminal após o país ter sido ultrapassado nessa área pela Coreia do Sul, com especial destaque para a Samsung. Com este declínio, as empresas direccionaram-se para o mercado interno, algo com elevados custos em sintonia com o nível de vida do Japão.

Perdas na ordem dos 30 milhões de dólares (22,6 milhões de euros) nas empresas como a Sharp, Panasonic e Sony deteriorarão a credibilidade das empresas que serão nacionalizadas, num “déjà-vu” do mercado automóvel americano. Em 8 dos últimos 16 anos o PIB (produto interno bruto) do Japão não cresceu, consequência dos resgates

3. Soja aumenta 50%

O mau tempo em 2012 causou o caos nas culturas e teme-se que este cenário se mantenha em 2013, nas épocas de plantação e de crescimento.  O stock de soja é precário, fruto de 9 maus anos, o que leva a que a volatilidade do seu preço fique exposta a disrupções.

O aumento na procura de biocombustíveis, neste caso óleo de soja refinado, vai fazer com que o preço aumente em cerca de 50%

4.  Ouro a 1.200 dólares (906 euros) por onça (28,35 gramas)

A força da recuperação dos Estados Unidos em 2013 vai surpreender os mercados e especialmente os investidores em ouro, que durante os últimos anos tem dominado o mercado.

As mudanças verificadas na economia americana, combinadas com a falta de recuperação na procura física do ouro na China e na Índia, onde ambos lutam contra um fraco crescimento e desemprego crescente, despoleta a liquidação do ouro. Isto é fruto da decisão da Reserva Federal americana em reduzir ou eliminar em definitivo a compra ou hipoteca de obrigações do tesouro.

Os fundos de investimento vão mudar-se para o lado vendedor, o que fará com que o ouro desça de 1.500 dólares para 1.200 dólares antes que as economias emergentes ou os bancos centrais possam tirar vantagem dessa redução.

5. Barril de petróleo atinge os 50 dólares

A produção de energia nos Estados Unidos continua a aumentar para além das expectativas, graças às avançadas técnicas de extracção de petróleo do xisto betuminoso.

A produção de barris de petróleo continuará a crescer e com um inventário para 30 anos, os preços baixarão para 50 dólares o barril. O lado da oferta, ou seja, a Rússia e os países exportadores de petróleo irá reagir muito tarde, hesitando em reduzir a produção, mantendo a oferta alta.

6. 60 ienes valem 1 dólar

O Partido Liberal Democrático volta ao poder com a punição do iene na agenda. Mas a realidade é que um parlamento pouco cooperativo e a resistência do Banco do Japão, significam que apenas algumas medidas serão introduzidas.

Entretanto, o mercado vai ficar pouco satisfeito com a ideia de enfraquecer o iene. A deflação e a repatriação de investimentos farão com que este se fortaleça e chegue aos 60 ienes por dólar.

7.  Hong Kong muda o regime de câmbios fixos do dólar americano para o renminbi chinês

A China mergulha no seu compromisso político de se afastar do dólar americano, e dá esse grande passo quando Hong Kong tomar a decisão de mudar o seu regime de câmbios fixos do dólar americano para o renminbi chinês.

Outros países asiáticos irão mostrar o desejo de fazer o mesmo. A China irá começar a aumentar a convertibilidade para apanhar uma fatia maior do mercado de comércio. Rapidamente a volatilidade do renminbi aumentará enquanto a China perderá o gás, tornando Hong Kong o mais importante centro de comércio de renminbi.

8. Banco Central Suíço interrompe combate à subida do franco

Com a eleição em Itália e os problemas na Grécia, Portugal e Espanha, haverá um grande movimento de capitais para a Suíça, o que levará a que o governo suíço e o seu banco central decidam deixar o franco apreciar-se em relação ao euro.

Eventualmente, a sua apreciação irá parar, mas não antes de 0,95 francos suíços valerem 1 euro.

9. Espanha aproxima-se do incumprimento enquanto taxas de juro aumentam para 10%

O mercado ignorar o alinhamento da periferia da União Europeia, impondo à União um risco sistémico. Este é o caso particular da Espanha, onde o rendimento de 1,8 milhões de pessoas é agora inferior a 400 euros, e onde apenas 17 milhões em 47 estão empregados.

A taxa de desemprego é de 25% e nos jovens chega aos 50%. A Catalunha continua a tentar separar-se, numa altura em que a Espanha verá o total da sua dívida explodir até aos 400% do seu PIB (produto interno bruto).

10.  Yield a 30 anos dos Estados Unidos dobra

As obrigações do tesouro a 30 anos mostram um retorno esperado de 0,4% (2,8% de yield menos 2,4% de inflação) para os próximos 30 anos. É esperado que a Reserva Federal mantenha as taxas baixas, mas em 2013 isto pode mudar graças à política da taxa de juro de 0%, o que obriga os investidores a mover o capital para conseguirem uma yield.

O mercado das obrigações é de 157 biliões de dólares contra uma valorização de mercado de 55 biliões. Isto significa que por cada dólar em acções há três em obrigações.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Estatísticas por Municípios - Preço da habitação

O INE publicou os Anuários Estatísticos Regionais, onde apresenta dados sobre vários temas ao nível municipal.

Em baixo apresento um mapa interessante que ilustra o preço da habitação por município. Todos nós temos noção das áreas onde é mais caro comprar casa, mas este mapa deixou-me surpreendido com a região do Algarve.


Estatísticas por Municípios - Médicos

O INE publicou os Anuários Estatísticos Regionais, onde apresenta dados sobre vários temas ao nível municipal.

No que diz respeito à distribuição de médicos pelo país, dá para perceber que há necessidade de novos médicos e de colocar outros em mobilidade. Este gráfico refuta completamente o discurso proteccionista que a Ordem dos Médicos, onde argumenta que o numerus clausus das universidades de medicina deve diminuir. Penso que há claramente espaço para uniformizar o mapa abaixo.

Médicos por 1000 habitantes, por município, 2011

"Vivemos acima das nossas possibilidades"

Já não é a primeira vez que me ouvem a contestar esta frase, mas desta vez vou citar um artigo muito bom que tira precisamente as conclusões que eu também tiro. As conclusões abaixo são do autor, que se baseou na análise de um estudo do Banco de Portugal e do INE chamado “Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010”, publicado em Maio de 2012.


  • A maior parte das famílias portuguesas (63%) não devia nada aos bancos ou a qualquer outra instituição financeira;
  • A maior parte das dívidas das famílias dizia respeito à aquisição de habitação (24,5% das famílias portuguesas estavam a pagar empréstimos que tinham contraído para adquirir habitação principal);
  • Poucas famílias tinham outras dívidas (3,3 % tinham contraído empréstimos para adquirir outros imoveis, 13,3% tinham contraído empréstimos para outros fins e apenas 7,5% estavam a pagar empréstimos obtidos com cartão de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários);
  • Quem deve é quem tem maior rendimentoe riqueza (nos 10% das famílias com maior rendimento, 57,4% das famílias eram devedoras; no grupo das 20% com menor rendimento apenas 18,4% das famílias estavam endividadas);
  • Se continuar a ler (quadro 11 do estudo) verificará também que quem mais deve é quem mais tem (a dívida mediana da classe de rendimento mais elevada é cerca de duas vezes maior do que  a da classe de rendimento mais baixo, a dívida mediana da classe de riqueza mais elevada é quase seis vezes maior do que a da classe de rendimento mais baixo).

Salários médios na Europa

Não conheço a fonte da imagem abaixo, pelo que não consigo confirmar a sua veracidade. No entanto, dá para perceber que há sítios bem melhores para se ganhar a vida do que Portugal - pelo menos no que toca a dinheiro.


Sendo eu um apreciador do bom tempo e da boa comida, sobram-me poucos países onde não me importaria de trabalhar. Infelizmente os países do sul não são os fortes economicamente...